Problemas e desafios do transporte público urbano
Enviada em 26/09/2019
“País rico não é aquele em que pobre anda de carro. É aquele em que o rico anda de transporte público” a frase de Enrique Peñalosa, prefeito de Bogotá, representa o ideal a ser alcançado ao se tratar de mobilidade urbana. No entanto, apesar de ser reconhecido a importância que os transportes públicos agregam a um país, a situação encontrada no Brasil é de descaso com esses modais somado a uma cultura automobilística enraizada.
Em primeiro plano, é possível analisar a falta de investimentos em transportes coletivos. A esse respeito, percebe-se que tal conjuntura foi iniciada pelo governo Dutra, que tinha como foco em expandir o transporte rodoviário, e que foi marcada pela frase “Governar é abrir estradas”. Tal cenário contribuiu para que os carros ganhassem protagonismo e impedisse que outros modais se desenvolvessem, como trens e metros, o que cria um maior congestionamento nas grandes cidades, uma vez que a maior parte de sua população opta por fazer ser trajeto diário com veículos individuais. Desta forma, percebe-se um aumento no número de veículos sem que o estado consiga conter esse problema.
Ademais, nota-se a obtenção de um carro associada a uma elevação de status dentro da sociedade. Na década de 50, os Estados Unidos descentralizou suas industrias possibilitando que as empresas automobilísticas chegassem ao Brasil, e que, junto a essas, também fosse importado uma valorização excessiva desse modo de transporte. Somado a isso, as más condições enfrentadas por aqueles que optam pelo transporte público, como vagões lotados e horas parados em meio ao transito, faz com que os veículo individuais se tornem um objetivo a ser alcançado. Nesse sentido, o carro traz um maior conforto e um maior sentimento de pertencimento dentro da sociedade.
Em suma, faz-se necessário uma revalorização do transporte coletivo para que se possa superar os problemas urbanos atuais. Logo, para que esses modais se tornem mais atrativos, urge que o Ministério dos transportes, em conjunto com a Mídia televisiva, visto que essa possui grande alcance, criem um projeto intitulado “Democracia no transporte”. Nesse projeto, serão criadas mais linhas de metro, faixas exclusivas de ônibus e ciclovias, visando combater o engarrafamento, e será designado à mídia o papel de desconstruir o estigma que o transporte urbano possui e diminuir o número de carros. Assim, será possível alcançar o desenvolvimento idealizado por Peñalosa.