Problemas causados pela possível aprovação da proposta de taxação de livros no Brasil
Enviada em 01/06/2021
Na obra “A menina que roubava livros”, conta-se a história de Liesel, criança que passa a furtar livros das bibliotecas, visto que, na sua inocência, não encontrou outra forma de ter acesso a eles, por serem caros. Saindo da ficção, percebe-se que, no Brasil, muitos também não conseguem arcar com os altos preços das obras literárias, as quais podem ficar ainda mais caras nos próximos anos diante da possível aprovação da proposta de taxação de livros. Desse modo, faz-se necessário debater sobre como tal aprovação impedirá o pleno desenvolvimento intelectual e aumentará o abismo social no país.
É importante entender, de início, que a aprovação da proposta de taxação de livros acarretará no aumento do preço deles e, consequentemente, fará com que sejam cada vez mais restritos à parcela da população com melhores condições financeiras, impedindo o pleno desenvolvimento intelectual do país. Isso porque, se as obras literárias estão disponíveis apenas para os que têm condições de arcar com preços mais altos - os quais, muitas vezes, já tiveram a oportunidade de desenvolver o pensamento crítico por meio da educação - tolhe-se tal oportunidade dos que, muitas vezes, só podem fazer isso por meio dos livros. Dessa forma, tomando como base o pensamento da escritora de “Quarto de despejo”, Carolina Maria de Jesus, o qual afirma que “quem tem um livro tem uma estrada”, ou seja, um caminho capaz de levá-lo a um lugar melhor, a taxação dos livros retira a “estrada” dos mais pobres e impede o pleno desenvolvimento intelectual do Brasil.
Percebe-se, ainda, que, como consequência da falta de oportunidade para o desenvolvimento intelectual, ao dificultar o acesso aos livros, a aprovação da proposta de taxação de livros acarretará no aumento do abismo social. Isso se deve ao fato de que, no Brasil, a educação, apesar de não ser promovida de forma eficiente e igualitária pelo Estado, é muito importante para o desenvolvimento social e econômico dos indivíduos, e, diminuir o acesso dos brasileiros aos livros diminui as possibilidades de acesso a melhores condições de vida. Com isso, o país, que já é considerado pela Organização das Nações Unidas o 6° mais desigual do mundo, ao permitir que os livros, importante ferramenta para o crescimento pessoal dos que compõem a nação, não sejam acessíveis a todos, contribui para um aumento desse evidente abismo social.
Portanto, urge que a sociedade brasileira se mobilize para impedir a aprovação de tal proposta. Tal ação acontecerá por meio de propagandas divulgadas nas redes sociais, devido ao seu amplo alcance, que não só vão expor a importância dos livros como também cobrará dos politicos eleitos uma movimentação contra a taxação de livros. Isso a fim de que eles sejam acessados por uma grande parcela da população e promovam o desenvolvimento intelectual e a diminuição da desigualdade.