Preconceitos enfrentados pelos homossexuais na doação de sangue
Enviada em 24/10/2019
Entre átomos e preconceitos.
Certa vez Albert Einstein afirmou “Época triste a nossa, em que é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito” e em um Brasil onde o preconceito contra a comunidade LGBTQ+ restringe essa parte da população de doar sangue, a assertiva de Einstein não poderia mostrar-se mais verdadeira e atual.
Em primeira análise pode-se observar que não há uma lei que proíba de forma explicita a doação de sangue por parte de homossexuais, todavia existem grandes restrições aplicadas a essas pessoas, fundadas em prejulgamentos e ideias errôneas adotadas pela sociedade de forma geral. A homossexualidade sempre foi relacionada a promiscuidade, o que não é verídico já que a escolha de se relacionar sexualmente com vários indivíduos é uma característica comportamental da pessoa, não estando associada a sua orientação sexual. Em outras palavras, tanto homossexuais quanto heterossexuais podem ter uma vida sexual desregrada.
Em segunda análise é importante explicitar que a fundamentação dessas restrições, como a que coloca homens homossexuais como parte do grupo de risco, são completamente preconceituosas, se for levado em consideração que qualquer pessoa pode ser portadora de doenças sexualmente transmissíveis. A fato é que, entre átomos e preconceitos, muitas pessoas morrem no país por falta de doações de sangue para os bancos de sangue nacionais, e restringir uma parte da população que se encontra disposta a doar, somente por serem da comunidade LGBTQ+ é um crime contra toda a sociedade.
Visto o apresentado é necessário que o poder Legislativo, através criação de leis eficientes e coerentes, coloque no grupo de risco não os homossexuais em especifico, mas sim qualquer pessoa que leve uma vida sexual desregrada e desprotegida, visando tornar a doação de sangue por parte de pessoas LGBTQ+ aceita como a de todos os que não fazem parte do grupo de risco. É importante também que o Ministério da Saúde promova a reeducação dos funcionários da área da saúde quanto a essa questão, através de palestras e seminários, visando reduzir ao máximo qualquer tipo de situação preconceituosa durante o atendimento de quem vai aos bancos de sangue fazer doações. Só assim o preconceito contra essa parcela da população será mais fácil de desintegrar do que um átomo.