Preconceitos enfrentados pelos homossexuais na doação de sangue
Enviada em 24/10/2019
A doação voluntária de sangue é um gesto altruísta, por possibilitar o salvamento de vidas durante atendimentos de emergência, cirurgias, tratamentos de doenças crônicas e entre outros. Contudo, a atual política excludente de doação de sangue no Brasil nega aos homossexuais o papel de protagonista neste gesto admirável.
O Ministro da Saúde afirma que, apenas 1,6% da população brasileira doa sangue. Entretanto, apesar do quantitativo de doadores está dentro dos parâmetros da Organização Mundial de Saúde(OMS) a realidade nacional segue outro viés. Uma vez que, o percentual é significativamente inferior a população total brasileira. Neste ínterim, há presença de restrições absurdas baseadas em ordem moral e sem amparo científico, como descrever a Associação Brasileira de Saúde Coletiva( ABRASCO ), sustenta um discurso discriminatório.
Assim, dentro da população homossexual só poderão doar sangue aqueles que respeitem o período de carência de no mínimo 12 meses sem relação sexual entre homens, no intuito de evitar a disseminação do HIV. Entretanto, dados do MS apontam que há mais casos de HIV entre heterossexuais do que entre homossexuais. Evidenciando, desta forma, que a propagação do vírus está associada a práticas sexuais desprotegidas que podem ocorrer em ambos os casos e que dependem exclusivamente do autocuidado.
Portanto, cabe ao OMS e a Anvisa, órgão responsável pelo controle de qualidade, fazer a liberação das normas impostas aos gays, com intuito de incentivar a doação de sangue por esta população, que segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e estatísticas(IBGE), se aproxima dos 18 milhões. Buscando assim ampliar o público doador e concomitantemente as doações. Dessa forma, contribuiria também com a desmistificação de que os homossexuais são vetores de Infecções Sexuamente Transmissíveis( ISTs ), pois o contágio pode ocorrer independentemente da orientação sexual.