Preconceito Linguístico
Enviada em 23/06/2023
No livro “Vidas Secas” de Graciliano Ramos, há a presença de uma grande variedade sociolinguística e no decorrer da narrativa é evidenciado o preconceito linguístico através do personagem Fabiano. Sob esse viés, é mantido na sociedade contemporânea o preconceito acerca daqueles que não utilizam plenamente a norma padrão da língua portuguesa. Desse modo, a persistência desse problema no Brasil se dá pelas desigualdades sociais nas esferas da comunidade e a negligência educacional no processo de aprendizagem de crianças e adolescentes de regiões brasileiras mais vulneráveis.
Cabe ressaltar, em primeira análise, a desigualdade social histórica no contexto brasileiro que possibilita uma maior divisão da sociedade em termos qualitativos, abrangendo as regionalidades e sotaques de cada região do Brasil. Ainda como a exposição à discriminação, esses elementos linguísticos também se conectam com a submissão e a opressão em decorrencia dessa variedade, visto que são vítimas de poder e opressão por não segir a norma culta.
Ademais, cabe destacar a negligência educacional como meio de disseminação do preconceito linguístico. Em consonância com a desigualdade social, muitos não possuem acesso a uma formação educacional de qualidade, elemento necessário para o aprendizado da norma padrão. O analfabetismo em questão no Brasil contribui para o preconceito linguístico, visto que muitas crianças e adolescentes não possuem acesso a uma educação de qualidade. Desse modo, cabe buscar melhorias no acesso à educação em áreas ribeirinhas e rurais, na intenção de garantir o aprendizado da norma padrão e respeito às regionalidades e sotaques.
Infere-se, portanto, que para atenuar o preconceito linguístico entre crianças, jovens e adultos, são necessárias ações que garantam a integridade de cada indivíduo. Cabe ao Ministério da Educação, criar por meio de verbas governamentais novas instituições de ensino em áreas rurais, perifèricas e ribeirinhas, além de incluir na grade horária escolar aulas sobre regionalismo linguístico e sotaques, de modo a combater o preconceito se utilizando do recurso da aprendizagem, tanto da norma padrão quanto sobre as variedades sociolinguísticas.