Preconceito Linguístico
Enviada em 17/04/2023
Em um trecho da música “Asa Branca” de Luiz Gonzaga, é retratada a cultura do sertão: “espero a chuva cair de novo, pra mim vortar, ir pro meu sertão”. Apesar de essa música ser uma linda expressão da cultura do sertão nordestino, desvios na morma padrão do Português são tidos como erros, um desmerecimento às variações da língua. O preconceito implanta-se onde a língua sofreu menos inter-
venção dos negros e índios, por isso as variações das regiões Norte e Nordeste do Brasil sofrem mais com essa normatização excludente, isso acontece realmente para mostrar quem são os mandatários do Brasil. Logo, é necessário elucidar que os diferentes tipos de falar e as riquezas das miscigenações das línguas não as re-
duzem, mas sim, as expandem.
Em uma primeira análise da discriminação, é importante ressaltar que não existe erro na língua ou da língua. O que há são diferentes de falar, e cada qual re-
presenta a sua cultura, que é muito rica e única. O linguísta Marcos Bagno - no seu livro “Preconceito Linguístico” - descreve: o que importa é a comunicação, assim, não existe nenhum brasileiro que não use a língua de maneira adequada, mas sim, ela é usada como forma de pertencimento e cultura. Dessa forma, ridiculari-
zar uma forma de falar é preconceito e ignorância, porque gera uma xenofobia de
exclusão dos brasileiros letrados para os brasileiros mais humildes.
Em consonância com o mesmo prejulgamento, a língua - como forma de cultu-
ra impositiva de um poder simbólico - permite que a classe que tem acesso ao le-
tramento aproprie-se desse poder. Ao aproximar o pensamento do sociólogo Pierre Bourdieu ao tema, vê-se que a língua é um simbolismo e, por conseguinte,
é usada como forma de distinção social nas normas padronizadas da língua. Em-
bora pareça muito adequado o padrão sem variantes linguísticas das regiões supracitadas na comunicação televisiva nacional, ele mais afasta do que une os
próprios falantes da língua brasileira.
É necessário, portanto, que o Ministério da Educação fomente os estudos das variantes linguísticas, por meio da inclusão delas no currículo escolar, a fim de que os estudantes possam conhecer o Brasil e suas culturas diversas. Mostrando, assim, que não existe maneira certa ou errada de falar.