Preconceito Linguístico

Enviada em 11/11/2022

O Brasil é um país de dimensões continentais, formado pela fusão de diferentes culturas, como a portuguesa, as indígenas e as africanas. Por isso, cada região do país possui uma maneira diferente de falar, com palavras, gírias e sotaques que não são comuns para toda a população. Apesar dessa grande variedade, somente a norma padrão da língua portuguesa é respeitada, o que causa o preconceito linguístico.

Primeiramente, a norma culta é a mais valorizada nos meios sociais, desprezando a outras variantes. Nesse sentido, é necessário utilizar o padrão da língua em ambientes acadêmicos e formais, como tribunais e lugares de trabalho. Desse modo, o aprendizado das regras gramaticais é essencial para o sucesso financeiro e social dos indivíduos, sendo, portanto, a única forma de se expressar reconhecida pelas instituições de ensino e pela elite econômica, que tem mais acesso à educação. Logo, aqueles que não a utilizam são excluídos da sociedade.

Por conseguinte, as outras diversidades da fala não são reconhecidas, o que gera aversão e preconceito. Nesse contexto, Paulo Freire, em sua tese “A Educação Bancária”, afirma que as escolas brasileiras funcionam como um “depósito” de conhecimento desconexo com aspectos de criticidade. Assim, nota-se que essa teoria se aplica no cenário brasileiro pela falta de debates sobre a importância das múltiplas variantes da língua. Dessa forma, os alunos associam que há somente uma maneira correta de se expressar, vendo as outras como erradas e com preconceito.

À vista disso, faz-se necessária a mudança dos aspectos atuais. Para isso, o Ministério da Educação, órgão responsável por regular o ensino no país, deve incentivar o conhecimento e a importância das diversidades faladas, por meio de oficinas de debate, no ensino médio, sobre esse assunto, para que a população possa valorizá-las também. Dessa maneira, o preconceito linguístico será discutido e combatido no Brasil.