Preconceito Linguístico
Enviada em 08/11/2022
Consoante a primeira Lei de Newton, conhecida como Lei da Inércia, um corpo tende a permanecer em repouso ou em movimento uniforme, ao menos que tenha seu estado alterado por ação de uma força externa. Fora da Física, esse preceito também pode ser analisado no preconceito linguístico enraizado no território nacional, na qual se nada for feito, continuará atingindo milhares de brasileiros. Esse lastimável panorama é calcado na inoperância Estatal e na alienação social.
De início há de se constatar a débil ação do Poder Público sobre a problemática. Acerca disso, o filósofo inglês Jonh Locke desenvolveu o conceito de “Contrato Social”, a partir do qual os indivíduos deveriam confiar no Estado, que, por usa vez, garantiria direitos cruciais a população. Entretanto, as autoridades vão de encontro com o conceito de Locke, visto que não garantem o direito a educação igualitária e de qualidade a sociedade, limitando o acesso à educação formal garantida pela Constituição Cidadã, além de não punirem adequadamente os crimes de preconceito linguístico ligados a xenofobia. Logo, é notório que a omissão do Estado alimenta a disseminação deste preconceito.
Ademais, uma grande parcela da população se mostra alienada. Segundo a filósofa Simone de Beauvoir, “O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”, a afirmação pode ser facilmente aplicada a presença do preconceito linguístico, já que mais escandalosa do que a ocorrência dessa problemática é o fato da população se habituar a ela. Isso ocorre porque, a sociedade adquire uma posição individualista por não mensurar a discriminação e a exclusão social que as vítimas do preconceito linguístico sofrem. Logo, é inadmissível que esse cenário de intolerância continue a perdurar.
Conclui-se, portanto, mister a atuação governamental no combate a discriminação linguística. Assim, cabe ao Poder Executivo Federal, mais especificamente o Ministério da Educação, executar campanhas contra a intolerância linguística. Tal ação deverá ocorrer por meio de Campanhas articuladas a mídia socialmente engajada, que desenvolvam o conhecimento, a empatia e acabem com a crença de que só existe um tipo certo de linguagem. Dessa forma, a sociedade brasileira sairá da inércia em relação ao preconceito linguístico.