Preconceito Linguístico

Enviada em 21/10/2022

Autor da obra “Urupês”, o escritor Monteiro lobato cria o personagem Jeca Tatu. Na trama, o personagem analfabeto é tratado com desprezo por uma elite, haja vista a falta de aceitação da variante regional. Ao transpor a ficção, observa-se que, ainda hoje, muitos brasileiros encontram-se na condição de “Jeca Tatu”, pois sofrem preconceito linguístico, sendo oprimidos pelo meio. Nesse sentido, é fundamental entender a causa desse preconceito e o seu maior impacto social.

Com base nesse cenário, nota-se que o sentimento de superioridade repercute na manutenção do preconceito com a diversidade de dialetos. Na verdade, a sociedade tem a necessidade de caracterizar os seres humanos de acordo com a sua posição social (teoria defendida pelo sociólogo Jessé Souza, no livro “A Ralé Brasileira”). Nesse contexto, as pessoas rejeitam as outras pelo modo de falar e as colocam numa posição de inferioridade na escala do ser. Exemplo dessa superioridade são os atos separatistas advindos da região Sudeste, como o movimento “O Sul é o Meu País”, o qual concentra-se nas regiões mais ricas e manifesta aversão pelo sotaque e pelo regionalismo típico de áreas mais pobres.

Ademais, percebe-se que a principal consequência do preconceito linguístico é a exclusão. De fato, as pessoas que falam de forma informal ou com variante regional, na maioria das vezes, são rotuladas e estigmatizadas como incapazes, o que inibe a expressão dessas pessoas em locais públicos, haja vista que elas passam a acreditar que são inaptos para locução. Essa situação pode ser denominada de “violência simbólica” a qual legitima a cultura dominante (teoria estudada pelo filósofo Pierre Bourdieu). Nessa perspectiva, mecanismos simbólicos de humilhação – atos de transgressão à igualdade civil – são normalizados pelo corpo social, perpetuando o preconceito linguístico na sociedade.

Portanto, constata-se a urgência em combater o preconceito linguístico. Para isso, é fundamental que o Ministério da Cidadania fomente a inclusão na sociedade. Tal iniciativa ocorrerá por meio da “Ação Nacional de Combate ao Preconceito Linguístico”, a qual veiculará campanhas midiáticas sobre a importância da aceitação das variantes linguísticas, apresentadas por personalidades de diversas regiões, a fim de promover a aceitação das diferenças.