Preconceito Linguístico

Enviada em 21/10/2022

A ordem constitucional vigente—inaugurada em outubro de 1988—guia-se pela construção de uma sociedade livre, justa e solidária, de modo a assegurar o bem-

-estar, a justiça e a liberdade. Contudo, mesmo diante desses preceitos da Constituição federal, bem como o direito à igualdade, os casos de preconceito linguístico persistem na população brasileira. Com efeito, há de se combater a falta de informação e a invisibilidade.

Diante desse cenário, é indiscutível que a ausência de conhecimento potencializa a discriminalização linguística. Nesse sentido, Schopenhauer — filósofo alemão —acreditava que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Assim, um indivíduo sem entender a relevância da variedade da linguagem tem sua visão limitada, o que dificulta a erradicação do problema, mesmo em um solo tão diversificado como o Brasil. Des-sa forma, não há como buscar o desenvolvimento do país enquanto o nação brasílica mantiver o preconceito dialético.

Além disso, a intolerância também contribui na fragilização da dignidade humana. Nesse contexto, a obra brasileira ‘‘Vidas Secas’’, do autor Graciliano Ramos, retrata a história de Fabiano que, infelimente, por ter um ensino escasso, apresenta difi-culdade para se expressar, o que o torna alvo de preconceito linguístico e exclusão. Sob essa óptica, ocorre que, no Brasil, a realidade de fabiano está distante de ser fictícia, já que por conta de uma linguagem diferenciada, muitos indivíduos não têm seus princípios incluidos na sociedade. Desse modo, se continuarem tratados como invisíveis, o isolamento de pessoas que se comunicam de maneira diferente será perpetuado.

Depreende-se, portanto, que tanto a falha informacional quanto um povo invisível são fatores que impedem a solução do entrave. Logo, o Ministério da Educação—órgão responsável pela promoção do ensino— junto com o Ministério da Cultura, deve criar um programa nacional que vise realizar palestras nas escolas, feitas por linguístas e sociólogos especializados, com a finalidade de apresentar a importân-cia da variedade da língua para o Brasil e o valor da integração. Espera-se, com isso, a resolução da problemática.