Preconceito Linguístico
Enviada em 18/10/2022
A Violência simbólica- termo trabalhado pelo filósofo Pierre de Bodieu- expressa- -se quando uma parcela social não usufrui de um direito comum aos demais cidadãos. A ideia do pensador é verificada ao analisar a fala contemporânea, visto que muitos grupos sociais são estigmatizados por conta do preconceito linguístico, constituindo, segundo o autor, um dano à nação. Com efeito, cabe avaliar a insuficiência das leis e a invisibilidade da questão como perpetuadores da causa.
Dessa forma, em primeira análise, cabe destacar a ineficiência constitucional como um fator determinante.Sob essa ótica, Gilberto Dimenstain, escritor e jornalista na-
cional, explica que as leis são inefetivas, o que gera uma falsa sensação de cidada-
nia. A crítica do autor, de fato, consolida-se na hodiernidade, pois, mesmo com a presença de normas que garantam o respeito às particularidades dos indivíduos, parte da população ainda é marginalizada pelo seu modo de falar. Isso ocorre devi-do à supervalorização da linguagem culta, obstáculo que desvalorizou a diversida-de linguística nacional, gerando preconceito não só contra a língua, mas também contra o falante, ferindo o preceito legislativo. Assim, é urgente que a cidadania de papel- de que o jornalista fala- seja superada.
Ademais, a invisibilidade da questão é um desafio presente na causa. Sob tal parâ-metro, a socióloga contemporânea Djamila Ribeiro diz ser necessário fornecer visi-bilidade a uma situação para que soluções sejam promovidas. Há, no entanto, um silenciamento instaurado no que diz respeito ao preconceito linguístico, haja vista que esse assunto raramente é discutido na mídia nacional. Sobre essa análise, vale destacar que os meios comunicativos apenas expõem alguns casos do tema, mas não o debatem de forma ampla. Com isso, informações importantes não são trans-mitidas, como formas de combater esse preconceito no cotidiano. Desse modo, ur- ge tirar essa situação da obscuridade para agir sobre ela, como defende Djamila.
Portanto, é fulcral atuar sobre esse problema. Para tanto, cabe ao Ministério das Comunicações- regulador dos meios midiáticos- promover maior visibilidade à cau-sa, por meio de programas e anúncios televisivos, visando à exposição do tema.Ou-trossim, o Estado deve rever suas leis, objetivando efetivá-las. Destarte, ter-se-á um Brasil diferente daquele retratado por Dimenstain.