Preconceito Linguístico
Enviada em 10/10/2022
A obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, retrata uma civilização perfeita, caracterizada pela ausência de conflitos. Contudo, a realidade brasileira difere desse cenário fictício, uma vez que o preconceito linguístico dificulta a concretização dos planos de More. Esse quadro antagônico é fruto de questões de cunho socioeducacional. Nesse sentido, urge a análise das consequências da referida problemática.
Precipuamente, é válido pontuar que o preconceito linguístico é causa direta da dificuldade de inserção no mercado de trabalho. Consoante o educador Paulo Freire,“Não há saber mais ou saber menos, há saberes diferentes”. Tal pensamento permite inferir que o modo de falar ou de escrever de um indivíduo ou grupo não implica em incapacidade de exercer determinado trabalho, no qual as habilidades da norma padrão da língua não são requeridas. Nessa perspectiva, é imperiosa a valorização da pluralidade linguística do país, com vistas à atenuar os impactos da discriminação sofrida pelos falantes coloquiais .
Outrossim, é indubitável que a cultura de superioridade do linguajar, por parte da nação, é uma ferramenta de exclusão e segregação coletiva. Nesse contexto, o livro “Vidas Secas”, do autor Graciliano Ramos, apresenta um protagonista que é inferiorizado pelo seu chefe por ter dificuldade de se comunicar. Desse modo, é notório que a conjuntura atual do Brasil aproxima-se da produção literária, ao passo que exemplifica a intolerância ao falar português e a limitação da liberdade comunicativa de grupos marginalizados socialmente. Assim, é fulcral a reformulação da postura grupal frente ao imbróglio.
Diante do exposto, medidas são cruciais para solucionar o óbice. Logo, cabe ao Ministério da Educação, por meio das escolas, no exercício de seu papel social, realizar palestras com professores e alunos, com o objetivo de debater, informar e conscientizar acerca da relevância de respeitar e enaltecer a diversidade dos falares populares. Posto isso, o dialeto deixará de ser um mecanismo de opressão e dominação e o panorama idealizado por Thomas More será gradativamente alcançado.