Preconceito Linguístico
Enviada em 08/02/2023
As raízes da canonização da norma padrão
O mito da caverna, de Platão, é uma parábola que ilustra um povo que se recusa a sair da sua zona de conforto para encarar a realidade. Fora da alegoria, o Brasil se encontra em um dilema similar no que diz respeito ao preconceito linguístico, uma vez que o complexo de vira-lata e as diferenças econômicas entre as regiões brasileiras criam a sensação de que há um português melhor do que o outro.
Nesse sentido, convém ressaltar o papel do complexo de vira-lata, que o jornalista Nelson Rodrigues definiu como a posição de inferioridade em que o brasileiro se coloca em relação ao mundo, no preconceito linguístico. Dessa forma, ao acreditar que o Brasil é somenos, acaba-se menosprezando a grande diversidade cultural, e consequentemente as variações linguísticas, presentes no país. Logo, apesar de haver situações comunicativas que requerem a norma padrão, nota-se que também há situações em que o uso da norma coloquial é aceitável, desde que os interlocutores consigam se entender.
Ademais, admite-se também mencionar a participação das diferenças regionais no problema em questão. Em 1967, o geógrafo Pedro Pinchas Geiger, dividiu o país em 3 regiões geoeconômicas, que demonstram a desproporção econômica entre certos estados brasileiros, com a região Centro-sul a mais relevante no produto interno bruto, e por conseguinte, a região mais valorizada. Diante disso, concluí-se que, quando há regiões da nação que são mais desenvolvidas do que as outras, essa disparidade se alastra para outros parâmetros, entre eles, a canonização da variedade linguística destas regiões.
Em síntese, ao desmascarar o preconceito linguístico, encontra-se ourros problemas, que enquanto não resolvidos, perpetuarão a problemática em questão.
Portanto, o Ministério da Cultura, cuja função é promover o crescimento cultural do Brasil, deveria criar uma campanha publicitária sobre a diversidade cultural entre as diferentes regiões. Visto que essa ação pode ser feita por meio de postagens nas redes sociais, a fim de valorizar as particularidades brasileiras, torna-se dever desse órgão governamental sair de sua caverna para enfrentar a realidade de que não existe um único português.