Preconceito Linguístico

Enviada em 11/09/2020

Ao analisar o tema “preconceito linguístico”, vê-se que é algo muito perceptível no Brasil, principalmente em dois âmbitos: no regional e no socioeconômico. E, esse preconceito deriva da construção de um padrão imposto por uma elite econômica e intelectual que considera como “erro” aquilo que se diferencia desse modelo. Por conseguinte, numa sociedade que sofre com o preconceito linguístico, ocorre a acentuação dos demais preconceitos relacionados a ele. Dessa maneira, é fundamental que haja a propagação da adequação linguística.

Em primeiro lugar, é muito comum o preconceito linguístico estar associado ao regionalismo, visto que as pessoas que fazem parte do padrão normalmente vivem nos grandes centros populacionais, onde monopolizam a cultura, a mídia e a economia, como o Sudeste e o Sul. E as pessoas que sofrem com isso, geralmente, se concentram nas regiões mais pobres ou atrasadas culturalmente, como Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Em segundo lugar, a questão socioeconômica também influencia nesse problema, pois a elite intelectual usa a linguagem culta como ferramenta de dominação sobre as classes mais pobres, uma vez que o desconhecimento da norma-padrão representaria baixo nível de qualificação profissional. Por causa do acesso limitado à educação e cultura, as pessoas pertencentes a classe mais pobre, geralmente, são excluídas dos melhores postos de trabalho, e passam a fazer parte da chamada ciclicidade da pobreza, onde o pai pobre e sem acesso ao ensino de qualidade, dificilmente vai conseguir oferecer melhores oportunidades ao filho, e este vai ter o mesmo futuro.

Portanto, medidas precisam ser tomadas para que pessoas com poucas condições possam ter mais oportunidades e também para que esse padrão tão enraizado possa ser quebrado aos poucos. Diante disso, a família, escola e as mídias precisam contribuir na propagação da adequação linguística (princípio segundo o qual não se fala mais em certo ou errado na avaliação de determinada variedade linguística) para o fim do preconceito linguístico. E compete ao Ministério da Educação, em parceria com o Poder Legislativo, criar leis específicas para esse preconceito, a fim de amenizar essa prática. Dessa forma, o preconceito vai ser extinto no meio da sociedade brasileira.