Preconceito Linguístico
Enviada em 20/02/2020
A obra do escritor português José Saramago, “Ensaio sobre a cegueira”, publicada em 1995, retrata uma epidemia de cegueira (que não tem origem biológica), a qual faz alusão ao egoísmo e ao desprezo dos seres humanos. Entretanto, hoje, mais de 20 anos depois, nota-se o preconceito linguístico da sociedade brasileira. Dessa forma, é preciso entender seus verdadeiros motivos para amenizar o problema.
A princípio, é importante destacar que a discriminação é decorrente da dificuldade de aceitar o diferente, o que está enraizado na cultura brasileira. A população do país, é conhecida, mundialmente, como um povo alegre, bem receptivo e comunicativo. Porém, segundo o jornal G1 da Rede Globo, o médico Guilherme Capel, de São Paulo, praticou o preconceito linguístico ao publicar em seu perfil do Facebook um deboche contra um paciente que usou as palavras “peleumonia” e “raôxis”. Desse modo, infelizmente, as pessoas que não seguem o padrão linguístico imposto como certo pela sociedade sofrem diversos tipos de violência (física, verbal e psicológica), em lugares que deveriam ser seguros.
Além disso, vale ressaltar que o Brasil é um país de grande extensão territorial, com diversas culturas que influenciam na variação linguística. A Língua Portuguesa apresenta inúmeras particularidades no contexto regional, etário, social e histórico. Segundo a obra, “Preconceito linguístico: o que é, como se faz”, do professor e filósofo Marcos Bagno, não existe uma forma certa ou errada dos usos da língua e que o preconceito linguístico é decorrente da ideia que existe uma única língua correta. Dessa forma, lamentavelmente, a prática do preconceito linguístico colabora com a exclusão social.
É notável, portanto, que o preconceito linguístico no Brasil necessita ser amenizado. Logo, é necessário que a Escola, como potencial formadora de opiniões, deve fazer uma abordagem mais aprofundada sobre esse assunto, por meio da Literatura, como o personagem Cebolinha da Turma da Mônica ou outras obras modernistas que apresentam diferenças regionais, a fim de diminuir o preconceito linguístico e formar futuros cidadãos mais respeitosos. Além disso, é fundamental que a mídia, como influenciadora, deve investir em campanhas publicitárias, projetos, trabalhos e debates esclarecedores, por meio de propagandas, programas televisivos e novelas, com o intuito de mostrar as diversas variações linguísticas e reduzir o preconceito. Desse modo, a sociedade resgatará o afeto e a esperança e não será mais “cega” como na obra de José Saramago.