Preconceito Linguístico
Enviada em 07/02/2020
Em 2015, 5 a cada 10 nordestinos sofreram discriminação social devido à gírias regionais, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Esse fato demonstra a fragilidade do sistema público cultural, a qual por falta de investimentos em propagandas educativas de estímulo ao respeito com as diversas expressões linguísticas, gera o principal problema do país: permanência do preconceito linguístico na sociedade atual. Assim, evidencia-se a necessidade de analisar criticamente os avanços e os desafios para uma possível solução da problemática.
A princípio, vale ressaltar o progresso obtido na luta a favor do reconhecimento de expressões sociais. Mário de Andrade, importante poeta brasileiro, diz: “o passado é lição para se meditar, não para se reproduzir”. Tal assertiva faz referência ao período do Parnasianismo, quando os autores literários buscavam exaltar a norma culta em poemas e menosprezar, desta forma, a linguagem informal. Por tudo isso, a Constituição Federal do Brasil de 1988 criou o direito à liberdade de expressão, o qual se opõe ao preconceito com a multiculturalidade linguística do país. Por exemplo, as gírias gaúchas e nordestinas são consideradas na atualidade parte do Patrimônio Imaterial e Linguístico brasileiro.
Ademais, é indispensável destacar os obstáculos enfrentados no combate ao preconceito linguístico. Nesse sentido, semelhante ao ocorrido com os nordestinos em 2015, inúmeras pessoas estão sendo desrespeitadas devido ao uso da língua informal e, consequentemente, são excluídas do convívio social. Isso ocorre devido a ausência de investimentos pelo Ministério da Cultura em propagandas midiáticas e palestras públicas capazes de desenvolver um pensamento crítico acerca do preconceito linguístico; algo grave, tendo em vista que não formular mecanismos de combate a discriminação vai em desencontro com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, cujo objetivo é garantir o respeito ao uso das diversas formas da cultura linguística nacional.
Depreende-se, portanto, que ações contra o preconceito linguístico devem ser imediatamente iniciadas. Para tanto, o Ministério da Cultura, órgão responsável por assegurar a preservação da cultura, deve investir em propagandas educativas contra a discriminação para com as expressões linguísticas, por intermédio de propagandas midiáticas em horário integral e palestras entre comunidade e profissionais especializados no assunto em amplo território nacional, com o objetivo de mobilizar os vários setores da sociedade a lutar contra o preconceito linguístico. Somado a isso, cabe ao Ministério da Educação disponibilizar escolas e horários para o surgimento de gincanas escolares, capazes de abordar o tema preconceito com os alunos e incentivá-los a reconhecer a importância da cultura linguística do Brasil.