Preconceito Linguístico

Enviada em 31/10/2019

A República Federativa do Brasil constitui-se em Estado democrático de direito e tem como objetivo fundamental reduzir as desigualdades regionais. Todavia, a cultura do preconceito linguístico impede que a sociedade usufrua desse direito na prática. Nesse contexto, deve-se analisar que o preconceito ocorre tanto pela marginalização de grupos sociais, por não terem conhecimento da língua normativa, como pelo sistema televisivo brasileiro.

Em primeira análise, observa-se que grupos sociais de menos prestígio na escala social ou de comunidades da área rural são os principais alvos de preconceito linguístico. Isso ocorre porque, segundo o escritor e linguístico Marcos Bagno, o conhecimento da língua normativa tem sido usado como instrumento de distinção e dominação pela população culta. Nessa perspectiva, em regiões do país como norte e nordeste, por muitos não terem oportunidade de estudo, a linguagem coloquial é muito presente e incomoda a população culta. Contudo, em um país rico culturalmente e com variedades linguísticas tão diversificas é inadmissível esse tipo de preconceito.

Além disso, nota-se, ainda, que esse preconceito também é fomentado pelo sistema televisivo brasileiro. Isso acontece porque na maioria das novelas, filmes e séries brasileiras que apresentam personagens com variedades linguísticas, os mesmos são, muitas vezes, retratados como engraçados, o que reforça o preconceito. Um exemplo disso é o filme Jeca-tatu, personagem criado por Monteiro Lobato, que, ao invés de ter uma representação positiva, é transformado em comédia, retratado com bastante gozação o seu jeito caipira, enaltecendo, assim, a superioridade da norma culta sobre a cultura popular, que quase sempre é motivo de zombaria.

Torna-se evidente, portanto, que medidas devem ser tomadas para erradicar o preconceito linguístico no Brasil. Cabe ao Ministério da Educação reforçar nas escolas o estudo das variações linguísticas, distribuindo cartilhas interativas que mostrem a diversidade linguística do país, com o objetivo de despertar a aversão ao preconceito retratado. Ademais, cabe ao Poder Legislativo criar leis que punam com multas esses tipos de preconceito velado em meios televisivos, incentivando a apresentação da cultura popular sem zombarias ou gozações. Assim ter-se-á, com efeito, a redução das desigualdades regionais propostas pela República Federativa do Brasil.