Preconceito Linguístico

Enviada em 31/10/2019

O movimento Modernista, iniciado no Brasil em 1922, tinha como objetivo romper com o padrão literário vigente, criando uma nova forma de se escrever, livre das regras gramaticais. Dessa forma, os artistas deixaram de usar a norma culta para utilizar outras variações do português. Apesar disso, o preconceito linguístico ainda está presente na sociedade, já que muitos brasileiros persistem em ver a norma culta como superior à todas as outras formas. Isso ocorre por esse pensamento estar enraizado desde os tempos remotos e ser influenciado pelos meios de comunicação.

Mormente, é imperioso destacar que o preconceito linguístico está presente desde o período colonial. Isso porque os jesuítas, na intenção de catequizar os nativos, impuseram a língua portuguesa sobre as indígenas, criando um complexo de superioridade. Hodiernamente, há uma elitização no Brasil com relação ao idioma e suas diversas vertentes, no qual as pessoas escolarizadas reprimem quem não teve acesso à educação e não escreve, nem fala, conforme a norma culta.

Ademais, vale ressaltar que os meios de comunicação exercem forte influência para a persistência desse preconceito. Em “Jeca Tatu”, de Monteiro Lobato, o jeito caipira do personagem é visto como piada e gozação. Isso mostra que tanto na literatura, quanto na mídia, há a discriminação em relação a forma como os brasileiros falam ou escrevem e, tal situação, é análoga ao pensamento de Hannah Arendt, que dizia que o mal banal é um ato praticado sem a consciência de que é errado.

Destarte, é indubitável a necessidade de mudanças. Cabe ao Ministério da Educação proporcionar palestras sobre a temática em questão, por meio de pedagogos e linguistas, a fim de instruir acerca o respeito às diversas formas da língua portuguesa. Outrossim, o Poder Legislativo deve proibir propagandas, filmes, novelas ou livros que preguem esse tipo de preconceito, por intermédio de multas, para evitar a influência midiática sobre essa intolerância. Somente assim, é valorizado e respeitado os diferentes jeitos de falar e escrever, como pregado pelos Modernistas.