Preconceito Linguístico
Enviada em 30/10/2019
Durante o processo de colonização no Brasil, os portugueses tinham como pretensão impor seus costumes e ideologias aos nativos, dentre os quais estava incluso o aprendizado da língua portuguesa. Analogamente, nos dias atuais, há indivíduos que hierarquizam sua cultura, uma vez que desrespeitam a diversidade linguística existente no país. Dessa forma, torna-se necessário analisar como as instituições de ensino e a mídia contribuem para a perpetuação do preconceito linguístico.
Observa-se, em primeira instância, que as escolas tornaram-se os principais locais de exclusão das variedades linguísticas. Sabe-se que, ao considerar uma única possibilidade de realização da língua portuguesa como sendo a correta, a escola propaga o mito de que existe apenas uma forma de falar no Brasil e desconsidera que o português falado no país é marcado pela diversidade. De acordo com a professora Cleide Passos, muitas crianças, a partir de intervenções dos docentes, passam a corrigir a família e dizer que eles não sabem falar, reproduzindo, em casa, o preconceito linguístico. Logo, a sociedade despreza as demais variantes existentes e se estabelece um preconceito em relação à elas.
Deve-se abordar, ainda, que a mídia, como principal influenciadora, aumenta os casos de discriminação linguística. Muitas vezes os meios de comunicação - novelas, séries, filmes - utilizam a linguagem como forma de ridicularizar determinada região. Um exemplo é o modo como a fala nordestina é retratada nas novelas, em que todo personagem nordestino é um tipo grotesco e rústico, criado para provocar o riso e o deboche dos telespectadores, como mostra o personagem Candinho, da novela global “Êta mundo bom”. Consequentemente, o preconceito vai sendo inserido na sociedade de forma subentendida, o que faz com que as pessoas aceitem o que lhes é imposto e transmitam, sem perceber, atitudes intolerantes para com as “pessoas reais”.
Torna-se evidente, portanto, que o preconceito linguístico é uma questão em pauta no Brasil. Para resolver tal impasse, o Ministério da Educação deverá fazer uma releitura dos cursos de licenciatura, com uma reformação da grade curricular, inserindo um estudo mais amplo das variações regionais, com o objetivo de que o ensino da norma-padrão seja feito sem que ocorra a desvalorização da variedade linguística dos alunos. Ademais, é papel da mídia procurar estudar melhor o modo de falar de cada região, levando ao público o respeito a todos e, com isso, combatendo os diversos preconceitos embutidos na sociedade. Afinal, como foi dito pelo linguista Marcos Bagno, não existe maneira certa ou errada de falar, mas sim diferentes situações comunicativas. Portanto, cabe a todos respeitar e aceitar cada uma delas.