Preconceito Linguístico
Enviada em 29/10/2019
De acordo com Marcos Bagno, linguista brasileiro do século XXI, não há maneira certa ou errada de se comunicar. Diante disso, não é raro encontrar, dentro da sociedade brasileira, diversas manifestações linguísticas. Todavia, observa-se que o preconceito linguístico é um dos piores males impregnado no corpo social contemporâneo e reflete um cenário desafiador seja pelas variadas formas de expressão dentro do território brasileiro, seja pela baixa escolaridade de parte da população do país.
Mormente, o Brasil é considerado um país miscigenado e de cultura ampla. Cada região possui sua própria característica, a variedade usada pelos nordestinos é diferente da usada pelos sulistas e vice versa. Ambas possuem fatores particulares, sejam eles, sociais, culturais ou geográficos. Marcos Bagno, na obra Preconceito Linguístico, aborda sobre os diversos aspectos da língua bem como o preconceito linguístico e suas implicações sociais. Segundo ele, o preconceito linguístico é gerado pela parte das pessoas cultas que se dizem verdadeiros “donos” do português brasileiro, disseminando a ideia de que existe uma única língua correta (baseada na gramática normativa), o que colabora com a prática da exclusão social, refletida na criação do esteriótipo de que nordestino é analfabeto e inferior, cuja fala é considerada errada e, por isso, é tido como incapaz.
Ademais, a estereotipação que produz o preconceito linguístico se estende a quem possui baixa escolaridade. A crise educacional brasileira não é mistério, por isso há indivíduos que têm dificuldade de acesso às escolas. Diante disso, essa deficiência educacional é utilizada, muitas vezes, por outros cidadãos e pela mídia para criar um imaginário de fala errada e fala de quem é pobre. Á vista de tal preceito, a intolerância linguística configura-se uma chaga social que demanda imediata resolução, pois tange não somente preceitos culturais e sociais, mas também constitucionais estabelecidas pela Constituição Cidadã de 1988, que garante promover o bem de todos, independente da etnia.
Portanto, para evitar maiores danos à liberdade de fala dos brasileiros, medidas precisam ser tomadas. Primeiramente, cabe ao Poder Legislativo, que desenvolva leis de tipificação como crime hediondo, para os atos de violência e atentados às variações da língua, que vise diminuir a hostilidade linguística na extensão territorial brasileira. Ademais, urge que a mídia por meio de novelas e seriados, transmita e propague a diversidade linguística, com propósito de conscientizar a população brasileira sobre as várias formas de expressão da língua portuguesa, com objetivo de desmitificar a ideia de um única língua correta. Só assim, poder-se-á combater o preconceito linguístico no Brasil e imperar as variantes linguísticas, pois segundo Marcos Bagno, não há maneira certa ou errada de se comunicar.