Preconceito Linguístico

Enviada em 29/10/2019

Durante o período Imperialista no século XIX havia a prevalência de ideias eurocentristas, em que, alegava-se a cultura européia como superior as demais e responsável em  “civilizar”  o restante do mundo, exterminando muitas culturas. Entretanto, essas ideias etnocêntricas persistem na sociedade brasileira, visto que o preconceito linguístico, justificado pela “inferioridade” de certos sotaques e dialetos estimula a  permanência das desigualdades socioeconômicas no  Brasil.

Primeiramente é importante ressaltar que a classificação de certas culturas como inferiores ou superiores ainda é vigente no país. De acordo com o antropólogo Franz Boas não há cultura superior ou inferior, mas apenas diferenças históricas, naturais e linguísticas, como por exemplo, as influências portuguesas, alemãs e africanas no Brasil Colonial que formaram diferentes povoados em regiões distintas. Porém essas variações à norma culta da língua portuguesa é ridicularizadas por regiões que se consideram superiores culturalmente, como é visto nas inúmeras sátiras ao povo nordestino e goiano, uma nítida imposição etnocêntrica.

Ademais, o preconceito linguístico incentiva as  diferenças socioeconômicas do Brasil. Segundo o escritor e professor Marcos Bagno muitas pessoas usam a língua como instrumento de dominação,ou seja,a elite econômica aproveita de seu conhecimento linguístico e caracteriza as  diferenças regionais como baixo nível de qualificação profissional e intelectual.Com isso, muitas pessoas com sotaques  são desvalorizadas no mercado de trabalho e vedadas de ascenderem economicamente, mantendo assim,os pilares da divisão de classes.

Com o exposto, para que as variedades linguísticas não sejam motivos de nivelação social e cultural, cabe as instituições de ensino - primário e secundário - ensinar a adequação linguística e as diferenças culturais das regiões do país, por meio  de aulas de literatura e gramática que salientem o regionalismo e a coerência gramatical - destacando autores modernistas, por exemplo. Logo, será possível reduzir a influência etnocêntrica no país.