Preconceito Linguístico
Enviada em 27/10/2019
O Modernismo, movimento literário que surgiu no Brasil em 1922, trazia como uma de suas características a valorização das variantes linguísticas, contrariando o tradicionalismo estético do século XIX. No entanto, esse reconhecimento da linguagem coloquial só persistiu no âmbito literário, visto que o país enfrenta o desafio de combater o preconceito linguístico, que tem raízes históricas e tornou-se instrumento de exclusão social. Dessarte, faz-se necessárias medidas a fim de resolver esse impasse.
No período da colonização, os portugueses impuseram aos nativos a sua língua padrão, desconsiderando a história dos índios e desrespeitando a língua originária desse povo. Logo após, houve um fluxo migratório de europeus para o território brasileiro, contribuindo para a fusão de vários idiomas e gerando uma vasta cultura de pronúncias e expressões. Todavia, o português continuou como idioma homogêneo e seu domínio foi elitizado, acarretando o preconceito linguístico, pois aqueles que tiveram acesso à educação fizeram da língua portuguesa um mecanismo de superioridade, reprimindo aqueles que possuem baixa escolaridade.
Ademais, é imprescindível citar, nesse contexto, o princípio de coercitividade defendido pelo sociólogo Émile Durkheim, no qual diz que a sociedade tende a ignorar e desprezar quem não se encontra nos padrões de “normalidade”. Percebe-se, dessa forma, que aqueles que não dominam a modalidade formal da escrita e da fala são alvos de discriminação e deboche, como foi o caso de um médico que caçoou de um paciente nas redes sociais por ter falado “pleumonia " em vez de pneumonia. Esse fato mostra como a linguagem é uma ferramenta de segregação social, pois a classe dominante valoriza a norma culta e deprecia os falares das classes menos priveligiadas.
Levando em consideração os aspectos mencionados, fica evidente a necessidade de combater tal problemática. Para que isso ocorra, é fundamental que o Ministério da Educação insira na grade curricular o ensino das variantes linguistícas desde a educação infantil a fim de ensinar a respeitá-las. Outrossim, o Poder Legislativo deve criar uma lei que torne crime o preconceito linguístico, punindo com multas e prestações de serviços comunitários os indivíduos que praticarem tal ato. Desse modo, espera-se garantir uma sociedade livre de discriminações.