Preconceito Linguístico
Enviada em 28/10/2019
Produto da imensa diversidade cultural presente no Brasil, as variedades linguísticas representam um modo de vida, uma cultura. Entretanto, o preconceito linguístico as enxerga de forma dicotômica entre o que é certo e o que é errado. Dessa forma, esse modo de ver a língua acarreta em marginalização. Porquanto, o sentimento de pertencimento a uma nação é afetado e traz consigo a exclusão social.
Convém lembrar que, a forma como uma pessoa fala está intimamente relacionada com a sua identidade. Tendo em vista que, a língua diz a região onde a pessoa vive, a faixa etária e o grupo no qual faz parte, por exemplo. Desse modo, ao ridicularizar um modo de fala, tudo que está por trás das palavras também é desrespeitado. Portanto, é preciso entender que não é a norma culta que constrói uma pessoa, mas a sua vivência e a sua cultura. De acordo com Schopenhauer, todo homem enxerga seu campo de visão como limite do mundo. Desse modo, a língua não deve servir como instrumento de poder e causar exclusão, mas como forma de reconhecer que há uma cultura a ser aprendida.
Em consequência disso, o preconceito linguístico, majoritariamente, é simbioticamente associado ao social. Dessa maneira, a Poesia Marginal, literatura que deu voz aos excluídos e marginalizados com uma linguagem considerada “vulgar” ou “grosseira”, foi considerada “lixeratura” por críticos da época, por exemplo. Sendo assim, muitos podem até inconscientemente entender a variedade linguística como a expressão de uma cultura, porém, por ser considerada inferior, ela é excluída e indigna de percepção. Isso produz um ciclo, pois a falta de representatividade dessas minorias acabam por diminuí-las como brasileiras e cidadãs, assim, quem absorve o comportamento excludente de forma passiva continuará fortalecendo a língua como ferramenta de descaracterização.
Logo, a língua pode ser um mecanismo de exclusão social se for tratada de modo maniqueísta. Sendo assim, como cabe ao Poder Executivo a operacionalização de políticas públicas, o Ministério da Educação deve criar cartilhas informativas para serem distribuídas por todas as escolas públicas da país e garantir que estejam inseridas no seu projeto pedagógico da escola. Nessas, é preciso que exista textos de funk, rap, literatura de cordel até contos de Machado de Assis, por exemplo. Dessa maneira, obter-se-á uma postura reflexiva dos alunos por meio da apresentação das variedades linguísticas do idioma e mostra, dessa forma, que elas fazem parte da cultura que o constrói a nação. Ademais, é importante que esse projeto esteja no Plano Plurianual para que se garanta a continuação do projeto e o fim do uso da língua como instrumento de poder.