Preconceito Linguístico
Enviada em 27/10/2019
Na antiga Península Romano, havia como idioma o latim clássico, falado apena pela alta elite. Com a expansão do império, começou a surgir o latim vulgar, que ficou conhecido como a língua do povo. No qual, a partir dele surgiu o português, que análogo também seria a língua utilizada pela povoação. Portanto, nota-se que há uma extrema intolerância no modo de falar, em que, tal atitude que além de um julgamento, é reflexo de outros preconceitos.
Em virtude de diferentes formas de se expressar verbalmente, o preconceito linguístico resulta da comparação indevida entre o modelo idealizado que se apresenta nas gramáticas normativas e os modos de falar das pessoas que vivem na sociedade. Para o linguista e filósofo Marcos Bagno, que publicou em 1999 o livro “Preconceito Linguístico: o que é, como se faz”, um dos grandes problemas geradores da discriminação linguística no Brasil é a sua perpetuação, principalmente pelos veículos de mídia e entretenimento. “É um verdadeiro acinte aos direitos humanos, por exemplo, o modo como a fala nordestina é retratada nas novelas de televisão. Todo personagem de origem nordestina é, sem exceção, um tipo grotesco, rústico, atrasado, criado para provocar o riso, o escárnio e o deboche dos demais personagens e do espectador.” Esse tipo de atitude representa uma forma de marginalização e exclusão.
Além disso, o preconceito e discriminação estão interligados às condições étnicas, religiosas e sexuais dos indivíduos. Porém, a principal fonte de intolerância está na comparação que as pessoas da classe média urbana das regiões mais desenvolvidas fazem entre seu modo de falar e o dos indivíduos de outras classes sociais e regiões. Esse preconceito se vale de dois rótulos: o “errado” e o “feio” que, mesmo sem nenhum fundamento real, já se solidificaram como estereótipos. Quando analisado de perto, o preconceito linguístico deixa claro que o que está em jogo não é a língua, pois o modo de falar é apenas um pretexto para discriminar um indivíduo ou um grupo social por suas características socioculturais e socioeconômicas.
Portanto, para se atenuar esse tipo de intolerância, a instituição escolar tem sido há séculos a principal agência de manutenção e difusão do preconceito e de outras formas de discriminação. Assim, escolas de ensino médio, devem ter uma formação docente adequada, com base nos avanços das ciências da linguagem e com vista à criação de uma sociedade democrática e igualitária, para que de tal modo, quebrem os mitos que cercam a fala “correta” da língua, principalmente conscientizando as pessoas da pluralidade e da diversidade cultural, com o fito de ser um passo importante na crítica e na desconstrução desse círculo vicioso.