Preconceito Linguístico
Enviada em 15/05/2019
A semana da arte moderna, realizada em 1922, com intuito de elevar o sentimento nacionalista, buscou valorizar a linguagem popular. Todavia, o enraizamento de uma maneira correta de se falar, na sociedade, ainda dificulta a aceitação das variações linguísticas, e por consequência, ratifica o preconceito destas. Desse modo, é notável a dificuldade de aceitação da heterogeneidade vocabular, baseada em prejulgamentos. Assim, a imposição de um dialeto normativo, aliado aos juízos de valores, corroboram para a atenuação desse atual cenário de intolerância.
À priore, é cabível ressaltar a exigência vocabular normativa à sociedade. Evidentemente, isso ocorre graças a uma visão etnocêntrica da linguagem, uma vez que a centralização de uma forma ideal de oralidade deturpa a identificação de certos grupos sociais. Quando Oswald de Andrade escreveu o poema “Pronominais”, tinha por intuito quebrar os paradigmas de um vocabulário unicamente correto. Assim, tal fato relaciona-se com a situação do preconceito, já que há a necessidade de desconstrução de intolerância linguística no plano social.
Em segundo plano, diante das exigências linguísticas, é necessário apontar o preconceito social como fruto de valores orais. Esse cenário advém de juízos vocabulares, que por sua vez, incitaram a segregação de indivíduos que não atendem à oralidade padrão. Nesse contexto, Bechara – membro da Academia Brasileira de Letras – discerniu sobre a importância do “ser” poliglota da própria língua, pois é necessário adaptar a linguagem para todos os casos de variação oral, a fim de ampliar a interação popular.
Em suma, evidencia-se que a aversão às variedades linguísticas é baseada na intolerância e em juízos de valores. Dessa forma, cabe ao Governo Federal, por intermédio do Ministério da Educação, reformular a base comum curricular, por meio de investimentos no conteúdo didático para apresentação linguísticas aos alunos, através de obras culturais e sociais diversas. Assim, tendo por finalidade diversificar o vocabulário e evitar prejulgamentos. Portanto, como efeito dessas diretrizes, propiciar a interação social e a adequação oral às várias situações, e com isso, ratificar o propósito modernista, com as “línguas” da nação brasileira.