Preconceito Linguístico

Enviada em 07/05/2019

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, defende a manutenção do respeito entre os povos de uma mesma nação. No entanto, no cenário brasileiro atual, observa-se justamente o contrário, quanto à questão do preconceito linguístico. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da falta de empatia e da impunidade.

Em primeiro plano, o preconceito linguístico encontra terra fértil na falta de empatia. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. Em virtude disso, há, como consequência a falta de empatia, pois, para se colocar no lugar do outro, é preciso deixar de olhar apenas para si. Essa liquidez que influi sobre a questão do preconceito linguístico funciona como um forte empecilho para sua resolução. Exemplo de tal, é a falta de empatia no caso do profissional da saúde, Guilherme capel, que debochou em suas redes sociais de um paciente  que não sabia falar “corretamente” as palavras raio x e pneumonia.

Ademais, é preciso atentar para a impunidade presente na questão. Nessa perspectiva, a máxima de Martin Luther King de que “a injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo lugar” cabe perfeitamente. Desse modo, tem-se como consequência a generalização da injustiça e a prevalência do sentimento de insegurança coletiva no que tange o preconceito linguístico. Isto se da pela falta de punição do poder judiciário já que não há leis que protejam os indivíduos de tais descriminações.

Infere-se, portanto, que ainda há entraves para garantir à solidificação de políticas que visem a construção de um mundo melhor. Para que isso seja possível, o MEC juntamente com o Ministério da cultura deve desenvolver palestras em escolas, através de entrevistas com vítimas do problema. Tais palestras devem ser web conferenciadas nas redes sociais dos ministérios, com o objetivo de trazer mais lucidez sobre o preconceito linguístico de modo a atingir um público maior, bem como o poder legislativo deve criar leis que torne crime o preconceito contra a variação linguística, a fim de diminuir a exclusão e a impunidade sofrida por grande parte da população. A partir dessas ações, espera-se promover uma melhora das condições sociais desse grupo.