Preconceito Linguístico
Enviada em 02/05/2019
A linguagem é um importante mecanismo para entender a identidade sociocultural de um povo. Em um país diverso como o Brasil, diferentes formas de comunicação oral são utilizadas, diferenciando idades, região e classe social de seus falantes. Porém, o preconceito linguístico é muito recorrente no Brasil, pois muitos se consideram falantes mais capacitados, e é comum, por exemplo, a discriminação pelo modo de falar de habitantes da região norte e nordeste do país.
O preconceito linguístico se origina da segregação social, e reforça a mesma, sendo muitas vezes utilizado como instrumento de demonstração de poder. Para Karl Marx, além de definirem os padrões a serem seguidos por uma sociedade, os grupos dominantes escolhem aqueles que terão acesso aos meios necessários para alcançá-los, gerando um cenário segregacionista. Dessa maneira, o preconceito linguístico é instaurado quando a classe dominada é apontada como de menor importância ou menos qualificada por não conhecer as regras da gramática normativa.
Logo, o controle social se dá partir do momento que a minoria representativa fica desprovida de usufruir dos meios que poderiam alterar sua realidade, como o acesso a educação. Porém, muitas vezes a escola é um instrumento propagador do preconceito, quando autoritarismo e a inflexibilidade por parte dos professores desestimulam o aluno, invalidando todo seu conhecimento de mundo e repreendendo qualquer colocação que não esteja de acordo com a norma culta.
Para resolver o problema, é preciso que o tema seja mais discutido nas escolas, e que o assunto da linguagem seja tratado de maneira mais reflexiva e inclusiva. Também é importante uma mudança de postura dos meios midiáticos, de forma que enalteçam as diversas culturas existentes no país e não tratem habitantes de determinada região de maneira caricata e vexatória. Por fim, o estado deve garantir a todos o acesso a educação, conforme o artigo 205 da constituição brasileira.