Preconceito Linguístico
Enviada em 16/05/2019
Durante a Antiguidade greco-romana o idioma vigente era o latim, por esse motivo, os povos não adeptos a essa língua foram nomeados pelos gregos e romanos de maneira pejorativa como bárbaros e considerados sem cultura. Contemporaneamente, é fato que o preconceito linguístico permanece na sociedade atual, pois indivíduos que não falam de acordo com a gramática normativa são inferiorizados o que causa constrangimento e distinção social. Diante dessa perspectiva cabe avaliar os fatores para a existência desse quadro na sociedade brasileira.
Em primeiro lugar, o constrangimento causado pelo preconceito linguístico é gerado por um comentário que desqualifica a maneira de falar de alguém. Exemplo disso, foi o caso do médico de São Paulo que repercutiu nas redes sociais, o plantonista oprimiu seu paciente que cometeu um erro ao postar uma foto escrito “não existe peleumonia nem raôxis”. Esse senhor possuia baixo grau de escolaridade, de maneira idêntica, pessoas pertencentes a classes sociais menos favorecidas e com baixo nível de instrução são ridicularizadas por não adotarem a gramática normativa para comunicação oral.
Ademais, o Brasil devido a sua grande extensão territorial, comporta variedades linguísticas diversas. Segundo o linguista e filósofo Marcos Bagno, o preconceito linguístico surge da maneira debochada e estereotipada de tratar determinados grupos como nordestinos, bahianos e interioranos (caipiras), devido a pronúncia particular de cada região. Resultante dessas variedades linguísticas, por conta do preconceito linguístico, ocorre a distinção social, tanto de regiões diferentes quanto da mesma região.
Portanto, é mister que o estado tome providências para solucionar o quadro atual. Para a conscientização da sociedade brasileira, urge que o Ministério da Educação e Cultura (MEC) crie, por meio de verbas governamentais, palestras, nas redes públicas e privadas de ensino médio bem como no ensino superior, que explicite sobre preconceito linguístico e seus danos para a sociedade. Somente assim será possível combater a intolerância com os dialetos e sotaques da população brasileira e, além disso, desconstruir a visão de que a classe menos favorecida não tem cultura apenas por não ter a mesma educação que os mais abastados tiveram.