Preconceito Linguístico
Enviada em 01/11/2018
Um dos temas em voga na sociedade brasileira refere-se à questão do preconceito linguístico e aos impactos na vida dos indivíduos. Através de uma análise, constata-se que a perpetuação dessa discriminação é um grave problema social. Dessa forma, faz-se necessário combater a exclusão promovida dentro do ciberespaço e a ridicularização humorística em retratar uma parte da população, sobretudo na variação linguística.
De acordo com o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, na obra “ Raízes do Brasil", defende que os brasileiros costumam agir de forma discriminatória, apesar da aparente cordialidade. Nesse sentido, pessoas utilizam as redes sociais, protegidos por perfis falsos, para publicarem conteúdos ofensivos -discriminando os falares e até a aparência, encaixando-se na ideia do sociólogo, já que mostram ser incapazes de compreender que a opressão produz efeitos negativos nas vítimas, podendo ocasionar transtornos psicológicos e sociais.
De outra parte, o humor contribuí para a permanência dessa rejeição linguística e reforçam os estereótipos acerca das variantes negligenciadas. Segundo o filósofo Mikhail Bakhtin, o riso é capaz de desconstruir um grupo marginalizado e reafirmar o preconceito. Nesse viés, a construção de “memes" – especialmente sobre nordestinos – por páginas em redes sociais, atribuí caráter lúdico aos falares sociais e regionais de baixo prestígio, o que contribui para opressão da linguagem, e manifesta na prática, o que foi descrito por Bakhtin. Dessa forma, enquanto a ridicularizarão se manifestar, o país viverá com um dos mais graves problemas: a exclusão linguística.
Impende, portanto, o combate a intolerância linguística. Nesse contexto, as escolas devem garantir o contato com diversos conhecimentos e aprendizagens, por meio de aulas que competem mostrar a existência das variedades linguísticas, a fim de proporcionar um ensino de qualidade e amplo. Além disso, cabe ao Ministério Público, promover denúncias contra atitudes que interioriza os registros da linguagem de grupo excluídos, por intermédio de ações jurídicas avaliadas com prioridade, como deveria ocorrer com todas as discriminações. Somente dessa forma, será possível mitigar a repressão linguística.