Preconceito Linguístico
Enviada em 01/11/2018
Durante o Período Pré-Colonial e Colonial houve uma imposição, por Portugal, da língua portuguesa. Hodiernamente, é visível as similaridades entre essas épocas (passado e presente) — há uma exaltação do português culto e um desrespeito as variedades linguísticas. Diante dessa perspectiva, nota-se que o preconceito linguístico é um grande desafio a ser enfrentado pelo Brasil; o qual ocorre devido ao equívoco das pessoas acerca do papel da língua e da dificuldade das escolas em lidarem com as diversidades.
Em princípio, é sabido que o Projeto Modernista de 1930 tinha o objetivo de valorizar a variedade de línguas e falas e sua funcionalidade. Conquanto, tal ideário não foi alcançado, pois, hoje, percebe-se a humilhação e a depreciação cotidiana com os indivíduos que não utilizam a norma padrão. Salienta-se que, a principal função da língua, estabelecer comunicação entre os falantes, é ignorada e o preconceito, assim, torna-se predominante na sociedade. Nesse sentido, é essencial mudar a mentalidade do brasileiro a fim de coibir tal problemática.
Além da dificuldade em entender a funcionalidade da língua, há, também, a perpetuação da discriminação linguística pelas escolas. Aponta-se que, segundo Paulo freire, pedagogo brasileiro, a educação é o principal motor de mudança da sociedade. Entretanto, quando o ambiente escolar condena a diversidade e a classifica como transgressões e erros gramaticais, ele se distancia do postulado do educador e incentiva a intolerância. Portanto, é de fundamental importância ensinar o corpo docente a aceitar a variedade linguística no intuito de melhorar esse cenário.
Destarte, infere-se que ainda há entraves na aceitação das novas expressões da língua portuguesa. Cabe, então, ao Ministério da Educação elaborar campanhas socioeducativas, veiculadas nas mídias televisivas, para todos os brasileiros, acerca da diversidade linguística, do exercício da tolerância e da funcionalidade da língua, com a finalidade de acabar com o preconceito. Aliado a isso, também, o Ministério da Educação deve colocar na matriz curricular das escolas públicas e particulares o ensino as inúmeras vertentes da língua portuguesa, com a finalidade de tornar o ambiente escolar um veículo de mudança e combate a discriminação. Assim, o Brasil poderá superar tais desafios.