Preconceito Linguístico
Enviada em 01/11/2018
Durante o Período Colonial, no Brasil, a língua Portuguesa foi imposta para os nativos como forma de opressão e intolerância com os idiomas indígenas, mostrando ser um episódio histórico de preconceito linguístico por ter o objetivo de demonstrar a superioridade da língua europeia. Hodiernamente, o preconceito linguístico é algo banalizado pela sociedade moderna, que desconhece o caráter mutável da língua portuguesa de acordo com a diversidade social brasileira, gerando assim, situações discriminatórias e que necessitam serem combatidas.
A priori, é importante salientar que um único idioma possui variantes, isto é, uma única língua apresenta diversas formas de expressão que não cabe à norma padrão decidir se estão erradas ou certas, tal expressão pode estar relacionada a região, cultura e meio social que o indivíduo está inserido. Todavia, por desconhecer a variação linguística, cidadãos utilizam dessa diferença para praticar atos discriminatórios, como piadas e evidenciando assim, a intolerância com a diferença. Um exemplo disso, é o caso divulgado pelo jornal Estadão, em 2016, no qual, um médico zombava da pronuncia de um paciente de baixa renda.
Outro fator relevante, é a característica da língua em se mostrar uma forma de poder dentro de uma sociedade, assim como, na Grécia Antiga, os Sofistas utilizavam da arte da retórica para manipular discussões e mostrar seu amplo domínio do idioma. Nesse contexto, o linguista brasileiro, Marcos Bagno, em sua obra “Preconceito linguístico”, afirma que a língua é um instrumento de poder, controle e coesão social, e que para construir uma sociedade tolerante, é necessário instruir o respeito a diversidade linguística.
Portanto, são necessárias mudanças para intervir no problema. Cabe ao Poder Legislativo, estabelecer uma lei na qual a discriminação motivada por preconceito linguístico, seja passível de punição severa e crime inafiançável. Além disso, o Ministério da Educação deve promover a semana da variação linguística nas escolas públicas, com atividades teatrais e leitura dinâmica de obras como “Vidas Secas” de Graciliano Ramos e outros livros que tratam da diversidade do idioma dentro de um contexto próximo da realidade, para que assim seja incentivado o respeito de dentro da escola para fora. Ademais, o Mec também pode criar uma campanha por intermédio da televisão e rádio, a fim de conscientizar a população sobre a importância de respeitar as variadas formas de expressão do português fora do ambienta formal. Dessa forma, a intolerância linguística seria combatida e diminuiria progressivamente.