Preconceito Linguístico
Enviada em 01/11/2018
Historicamente, grupos detentores de poder sempre impuseram aspectos de sua cultura a outros vistos por eles como inferiores. Como ocorrido no processo de colonização portuguesa no Brasil, quando esses estabeleceram sua língua em detrimento dos dialetos indígenas, contribuindo para o seu quase desaparecimento observado hoje. Nos dias atuais, não é diferente, muitas pessoas discriminam outras pelo modo de falar, ainda que tais preconceitos sejam vedados pela Carta Magna do país. Isso decorre da supervalorização da norma “culta” e da ignorância acerca de variações linguísticas presentes no país. Primeiramente, segundo Carlos Bagno, grande linguista e filósofo autor da obra “Preconceito Linguístico”, não existe certo ou errado ao falar, e que o preconceito com essas decorre da ideia equivocada de que a norma “culta” deve ser valorizada em detrimento das demais. Tal crença evidencia que o preconceito não é dirigido puramente à fala, mas também às condições sociais dos falantes, visto que, historicamente, aqueles que detinham o conhecimento da norma padrão eram os grupos de maior prestígio e poder social, os que “possuíam cultura”; fazendo com que os menos favorecidos como nordestinos, nortistas e favelados fossem identificados e julgados pela maneira de comunicar. Sendo assim, os causadores de exclusão social.
Além disso, na grade curricular do ensino básico brasileiro, pouco se tem tratado das variações linguísticas do país, mas sim, as regras gramaticais de maneira engessada, como se a língua fosse homogênea ao longo de todo o território nacional e ignorando os fatores que causaram essas distinções, o que favorece o preconceito para com aqueles que se expressam de maneira diferente, já que o contato com essa linguagem é muito restrito. Dessa maneira, há a desvalorização da identidade e história de cada indivíduo e região do país, causando a impressão de que a pessoa deve se despir daquilo que o diferencia, para se adequar ao ambiente em que está inserido ou ainda, no caso de essa adequação não ser possível, como para os surdos e mudos, sentirão-se desajustados ao contexto social.
Destarte, é mister que medidas sejam efetuadas para conter tal situação. Para isso, o MEC deve incluir ao currículo escolar, discussões acerca da pluralidade linguística existente no país, através do investimento em qualificação de profissionais linguistas e da área de humanas, para, assim, fazer com que todos tenham contato com a cultura de seus semelhantes e, por conseguinte, não haja a incidência de discriminação. Além disso, o mito da norma “culta” deve ser desconstruído por esses professores de português, deixando claro que todo indivíduo tem cultura e essa não é medida segundo a forma de se comunicar de cada um. Dessa maneira, o preconceito e seus efeitos de exclusão e humilhação serão controlados.