Preconceito Linguístico

Enviada em 01/11/2018

Desde o parnasianismo, Olavo Bilac já exaltava a Língua Portuguesa como a “última flor do Lácio”, uma das heranças do Império Romano. A língua, como um dos principais instrumentos que sustentam a vida em sociedade, é responsável pela comunicação e interação entre os indivíduos. No entanto, ela também pode atuar de maneira negativa, sendo uma das ferramentas de segregação social. O preconceito linguístico, no Brasil, é muito evidente, e, por isso, é preciso entender que há diversas variantes no idioma, e uma não deveria ser mais prestigiada em relação às demais.

Ademais, é indubitável, que a questão constitucional e sua aplicação, estejam entre as causas do problema. Segundo o filosofo Aristóteles, “a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade”. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, o conflito gerado pela falta de aceitação das diversas variantes na fala, diferenciadas por região, classe social e idade, que rompe com a harmonia, haja vista que houve o caso de intolerância linguística feita por um médico nas redes sociais, onde ele publicou, “não existe ‘peleumônia’ e nem ‘raoxis’”, evidenciando o problema vivido no Brasil.

Outrossim, destaca-se o pensamento de que apenas a aplicação da norma culta esta correta como impulsionador do problema. De acordo com Durkheim, " o fato social é uma maneira coletiva de agir e pensar, dotado de exterioridades e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que o preconceito, com algumas variações da língua, tem como consequência a exclusão de algumas pessoas do meio social.

Diante do exposto, é evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de um mundo melhor. Desta maneira, o ministério da cultura deve transformar as variações linguísticas, em patrimônio cultural, possibilitando ampliação do respeito a essas formas de comunicação, como se fosse uma forma de conscientização por meio do próprio diálogo e de debates para combater a intolerância, a fim de que o tecido social se desprenda de certos tabus para que não viva na realidade das sombras, assim como no mito da caverna de Platão