Preconceito Linguístico

Enviada em 01/11/2018

A República Federativa do Brasil constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como objetivo fundamental reduzir as desigualdades regionais. Com efeito, não é razoável que mesmo na sociedade pluricultural, esse tipo de discriminação ainda se torne frequente.

Primordialmente, o preconceito linguístico contribui para a perda da identidade cultural. A esse respeito, durante o período colonial no Brasil, diversos povos- africanos, indígenas e europeus- contribuíram para a formação de uma nação plural, cuja influência transformou o português brasileiro em um idioma repleto de diversidade. Logo, negar a heterogeneidade da língua é impor uma colonização homogenia na qual o país canarinho jamais experimentou. Entretanto, é incoerente que haja preconceito linguístico numa sociedade multicultural.

Por outro lado, a língua é, no Brasil, usada como mecanismo de opressão as classes sociais menos favorecidas. Assim, algumas variações diastráticas, entre grupos sociais distintos, e variações diatrópicas, entre regiões diferentes, ainda são consideradas como erros de fala. Porém, essa discriminação vai de encontro com a verdadeira função do idioma: estabelecer uma comunicação limpa entre o emissor e o receptor.

Segundo Martin Luther King Jr., ativista político, toda hora é hora de fazer o que é certo.  Diante dos argumentos supracitados é necessário, portanto, que a Academia Brasileira de Letras, por meio de mídias sociais e das escolas públicas e privadas, incentivem uma literatura diversificada com o intuito que as variações diatrópicas e diastráticas estejam nelas inseridas e não somente a norma culta de prestígio. Com isso, haveria reconhecimento da pluralidade, e o tecido social brasileiro estabelecerá, de fato, uma cultura inclusiva.