Preconceito Linguístico

Enviada em 01/11/2018

A língua é a identidade de um povo, a pertença, o patriotismo. Nesse viés, a sociedade brasileira é um verdadeiro mosaico de dialetos, expressões idiomáticas e locuções incorporadas de outros países. Entretanto, mesmo após anos de conscientização sobre ter-se respeito pelas diferenças, sejam elas sociais, físicas ou linguísticas, ainda assim, o brasileiro tem consigo o pensamento enraizado de que a forma correta de se pronunciar um idioma é a da gramática normativa. Nesse contexto, surge a problemática do preconceito linguístico, que instaura-se, principalmente, pela falta de empatia e tolerância aos desdobramentos da “língua brasileira”.

A priori, vale ressaltar, que segundo uma máxima do escritor austríaco Karl Kraus, a educação é aquilo que a maioria das pessoas recebe, muitos transmitem, mas poucos possuem. Visto isso, depreende-se desse pensamento, que não é por falta de formação educacional familiar do cidadão que se embasa o preconceito linguístico, e sim, pela perca dessa educação ao longo da vida do indivíduo, que corrompe-se, seja pela consciência coletiva ou pelo estereótipo de a norma culta ser a correta.

Ademais, o que torna o povo brasileiro singular, maroto e diferente, é justamente a sua diversidade cultural rica e merecedora de admiração. Consoante, Carlos Drummond de Andrade, expõe que ninguém é igual a ninguém. Todo ser humano é um estranho ímpar. Desta forma, explicitando de maneira triunfal, a beleza da variabilidade da língua do Brasil. Visto isso, é de dever da sociedade civil brasileira, respeitar as diferenças da língua.

Portanto, para que a nação passe a tratar de forma igualitária todos as variantes da mixagem idiomática do país, cabe ao Poder Público, em parceria com o Ministério da Educação, a implementação no currículo escolar do ensino fundamental, aulas sobre diversidade cultural e linguística, ministradas por docentes especializados em língua portuguesa. Desta forma, visto que a educação tem imenso papel transformador no caráter do indivíduo, poderá-se fazer valer o pensamento de Paulo Freire, de que uma sociedade só muda com a luz da educação.