Preconceito Linguístico

Enviada em 01/11/2018

Em dissonância com os movimentos literários anteriores, a primeira fase do Modernismo brasileiro, incorporou em suas obras novos dialetos e valorização da linguagem popular. Desse modo, apesar de tal ação ser um marco na valorização da linguagem das ruas do país, hodiernamente percebe-se que o preconceito linguístico é uma problemática vigente. Nesse sentido, avaliar as causas que perpetuam esse estigma no meio social e buscar alternativas para saná-lo, são imprescindíveis.

Em primeira análise, cabe ressaltar o pensamento do renomado geógrafo Milton Santos, que denomina o Estado brasileiro em quatro “brasis”, ressaltando a heterogeinidade da nação. De maneira análoga, é notório que as múltiplas manifestações culturais nas diversas regiões de um país de vasta extensão territorial, influenciam demasiadamente no léxico e na fala de seus estados, prova disso, é uso recorrente do pronome “tu” na federação do Paraná em quanto em outras áreas do país utiliza-se mais o “você”. Contudo, ainda que esse quadro seja comum dentro de uma linguagem passível de modificações, muitas pessoas são alvos de discriminação por expressarem dentro de suas particulares. Não raro os Nordestinos são alvos frequentes de tal, impulsionada pela uma ótica social e regional depreciativa desse povo.

Ademais, convém frisar que a falta de uma educação universalizada fomenta o preconceito linguístico na pátria. Segundo o filósofo Immanuel Kant, " o homem é tudo aquilo que a educação faz dele “, nesse viés, quando absorto do processo que ensina a norma padrão da língua, o indivíduo não é praticante de tal, sendo cooptado pela linguagem popular. Nessa conjuntura, essas pessoas são vítimas recorrentes de rejeições linguística, um exemplo dessa realidade deplorável foi caso do médico Guilherme Pasqua, que prestava atendimento em um hospital de uma cidade do interior de São Paulo, ele debochou de um paciente por ter escrito “peleumonia” e “raioxis” quando o correto é pneumonia e raio-x respectivamente. Dessa forma, é evidente a ausência de uma educação proeminente estigmatiza essa problemática.

Fica claro, portanto, que o preconceito linguístico é um desafio e precisa ser cessado do Brasil. Dessa maneira, o Ministério da Cultura em parceria com a mídia pode criar propagandas valorizando a diversidade linguística como enriquecedora do português nacional, a fim que os discriminantes se conscientize da importância de tal , assim, ceifando esse mal da sociedade. Outrossim,  o poder Judiciário poderia criar uma lei que puna, por meio de multa ou prisão indivíduos que pratiquem intimidação linguística por motivação social, econômica, regional e por nível de escolaridade. Logo, a liberdade de expressão pode ser exercida em um país democrático, sem entraves.