Preconceito Linguístico
Enviada em 31/10/2018
A forma como se fala e escreve pode determinar as relações sociais, tal como acontecia no Período Colonial brasileiro entre índios, portugueses e franceses. Para reconhecer a nacionalidade e possíveis intenções do estrangeiros, os nativos os diferenciavam pela fala e sotaque. Mesmo que indiretamente, esta medida ainda é usada muitas vezes pela elite para designar as origens de um emissor durante um ato de comunicação, como seu nível de escolaridade, status social e regionalidade. Isto leva ao preconceito linguístico, que marginaliza as variações gramaticais faladas e escritas.
Em 1932, com o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, criou-se a necessidade do Estado oferecer educação gratuita e igual a todos. Contudo, desde então, o sistema educacional vigente prioriza a norma padrão da língua, em detrimento das variantes. Há a supervalorização do “português correto”, que nem sempre faz parte do meio social de camadas mais baixas. Estas, por vez, podem servir de objeto de dominação da elite através da língua.
Além disso, a mídia muitas vezes usa a fala de certos âmbitos ou regiões do Brasil como matéria de ridicularização. É habitual que a linguagem do meio corporativo seja dada como a que deve ser respeitada e possivelmente usada por todos, enquanto a linguagem do meio rural é dada como símbolo de ausência de politização, bem como a fala característica das regiões Norte e Nordeste.
Destarte, medidas são necessárias para solucionar o impasse. É preciso que este problema seja tratado nas escolas por meio de palestras ministradas por sociólogos e linguistas, direcionadas pelos Ministérios da Cultura e Educação, ensinando que não há língua ou cultura superior a outra e que as diferenças tornam o idioma mais rico. Quanto à mídia, deve haver fiscalização por órgãos congêneres ao Instituto Gutenberg para que a cultura local não seja motivo de piada. Assim, haverá mais respeito e preservação da integridade física e espiritual dos falantes.