Preconceito Linguístico

Enviada em 31/10/2018

Uma flor do Lácio renovada

Assim como escreveu Olavo Bilac, notório poeta parnasiano, a língua portuguesa é a última flor do Lácio, isto é, a mais recente derivação do latim. Ainda no século XXI, nota-se que o português permanece em constante mudança, seguindo o comportamento orgânico da linguagem. Nesse sentido, considerando-se que a alteração do idioma é natural e intrínseca à cultura, o preconceito linguístico atua como fator segregacional e deve ser combatido, por intensificar a exclusão e a estereotipação social no Brasil.

Em primeiro lugar, é fundamental destacar que as divergências idiomáticas são advindas de fatores espaciais, geográficos e socioeconômicos e, por isso, refletem diversas características dos falantes. Desse modo, infere-se que o preconceito linguístico está inexoravelmente atrelado a outros preconceitos, como sociais e raciais. Assim como postulado na Declaração Universal dos Direitos Linguísticos, de 1996, a tentativa de homogeneizar a linguagem deve ser evitada, uma vez que atua no sentido da exclusão social.

Ademais, deve-se evidenciar que, embora existam padrões de adequação formal para situações específicas, como documentos escritos, a valorização de uma única variante linguística reitera os estereótipos. O predomínio de sotaques característicos do sudeste entre os personagens de novelas televisivas e profissionais de jornais acaba por reforçar, diante dos milhões de telespectadores brasileiros, essa marginalização.

Em suma, para que haja a superação do preconceito linguístico no Brasil, a mídia deveria focar em ações que ampliassem a noção da diversidade cultural e linguística do brasileiro, por meio de novelas com personagens que utilizem variantes da linguagem, a fim de reduzir a estereotipação social. Com personagens que reflitam sotaques de outras regiões brasileiras, haverá, por fim, um espaço efetivo para a língua portuguesa florescer no Brasil.