Preconceito Linguístico

Enviada em 31/10/2018

Exclusão social, discriminação, formação de estereótipos. Essas são algumas questões que caracterizam o problema do preconceito linguístico na sociedade brasileira, uma vez que se trata de um preconceito social excludente, presente nas mais antigas civilizações, e que, infelizmente, ainda se faz presente, configurando-se como um mecanismo de controle e dominação política através do uso da linguagem. Nesse contexto, percebe-se que o preconceito linguístico reflete um cenário desafiador, seja em virtude do legado histórico, seja pela lenta mudança da mentalidade social.

Primeiramente, é preciso atentar para o legado histórico presente na questão. De acordo com o pensamento do filósofo Claude Lévi-Strauss, só é possível interpretar adequadamente as ações coletivas por meio do entendimento dos eventos históricos. Nesse sentido, o preconceito linguístico, mesmo que fortemente presente no século XXI, apresenta raízes intrínsecas à história brasileira, demonstrado pelo forte empenho de Portugal, durante a colonização brasileira, em impor sua língua, adotando medidas extremas contra indígenas e africanos para que centenas de línguas fossem exterminadas, e, com isso, facilitasse o processo de dominação escravocrata. Assim, eliminar o preconceito linguístico, alimentado por centenas de anos, não é tarefa simples.

Além disso, a lenta mudança da mentalidade social intensifica a gravidade do problema, visto que o preconceito histórico não foi superado. Segundo Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a questão do preconceito linguístico é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social dominante, considerando que o seu modo de falar ou escrever é aquele que deve ser preservado, a tendência é oprimir todas as outras pessoas que pensam diferente. Logo, formam-se estereótipos negativos, discriminações e exclusão social, tornando a resolução do problema ainda mais complexa.

Portanto, para que o preconceito linguístico deixe de fazer parte da realidade brasileira, medidas precisam ser tomadas. Faz-se necessário, pois, que o MEC em parceria com o PNLD (Programa Nacional do Livro Didático) desenvolva uma atualização nos livros didáticos de história, por meio da sugestão de projetos que discutam o legado histórico brasileiro relacionando-o a problemas atuais. Ademais, tais projetos poderiam fomentar, até mesmo, a criação de uma Olimpíada de História para o século XXI, para que o preconceito linguístico seja compreendido em sua totalidade e possa proporcionar avanços que o desamarrem de seu passado excludente. Por fim, é preciso que a comunidade brasileira olhe para a problemática com mais empatia, pois, como descreveu o poeta Leminski: “Em mim, eu vejo o outro”.