Preconceito Linguístico
Enviada em 01/11/2018
A Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro - assegura a todos a educação e a vida digna. Conquanto, a ocorrência constante de preconceito linguístico mostra que os indivíduos ainda não experimentam esse direito na prática. Nessa perspectiva, é que subterfúgios sejam encontrados a fim de resolver essa inercial problemática.
Assim como ocorre na evolução Darwinista, a língua portuguesa está em constante transformação e isso se observa ao analisar o modo como ela é falada em Portugal, em alguns países do continente africano e no Brasil - mesmo com uma origem comum, o idioma possui distinções. Ademais, pela enorme extensão geográfica da nação tupiniquim, é indubitável que há uma diversificação de dialetos, o que enriquece ainda mais a língua. Entretanto, apesar do movimento modernista, que buscou, em obras como o poema Vício na fala, de Oswald de Andrade, uma linguagem brasileira levando em consideração o regional e o coloquial, o preconceito linguístico, cuja gênese é a maneira como a gramática normativa foi imposta no Brasil, se perpetua, menosprezando e estereotipando regiões e causando ressentimento e dor em suas vítimas, o que fomenta a intolerância entre os estados brasileiros.
Faz-se mister, ainda salientar a desigualdade social como impulsionador da adversidade. Ela tem origem no acesso heterogêneo ao sistema de ensino na nação. A educação é, irrefutavelmente, o principal fator no desenvolvimento de um país. Hodiernamente ocupando a nona posição na economia mundial, levando em consideração as estimativas do Fundo Monetário Internacional e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, seria racional acreditar que o Brasil possui um sistema público de ensino eficiente. Contudo, a realidade é justamente o oposto e o resultado desse contraste é claramente refletido no preconceito linguístico.
Destarte, medidas são necessárias para a resolução do impasse. De acordo, Evanildo Bechara, gramático brasileiro, “Um falante deve ser poliglota em sua própria língua”. Diante disso, cabe ao Ministério da Educação promover o respeito aos dialetos distintos por meio de palestras ministradas, por professores da língua portuguesa e pedagogos, para estudantes, com o uso de slides e cartilhas sobre preconceito linguístico. Concomitantemente, mídias de grande impacto devem disseminar, por meio de propagandas, para o corpo social a informação de que a língua portuguesa abrange mais que apenas a gramática normativa e que é inadmissível seu uso como meio de marginalizar outrem da sociedade. Ademais, compete à Receita Federal destinar maior verba ao meio educacional para que o acesso ao ensino seja homogêneo. Dessa forma, o Brasil poderá superar o preconceito linguístico.