Preconceito Linguístico

Enviada em 31/10/2018

Segundo Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é característica da ‘‘modernidade líquida’’ vivida no século XX. Analisando o pensamento do sociólogo polonês, essa realidade imediata perpetua-se com o preconceito linguístico, e em detrimento da consonância governamental inobservante à Constituição e uma nação preconceituosa ao extremo, efetiva-se como uma das maiores incógnitas do território brasileiro. É incontestável que os aspectos governamentais estejam entre as principais causas do preconceito linguístico. De acordo com o artigo 3 da Constituição Brasileira, explana o dever estatal de construir uma sociedade livre, justa e solidária, garantindo o desenvolvimento nacional. No entanto, seguindo os últimos dados relacionados ao preconceito linguístico a ação legal encontra-se distante da efetivação, haja vista que nota-se a mínima expressividade desse Estado, ainda em vigor, no que tange à proteção do cidadão, como mostra a campanha da agência de publicidade Base Propaganda, de Aracaju, que abordou o preconceito contra os nordestinos por moradores de outras regiões, ainda que velados ou paternalistas. Da mesma forma, evidencia-se a ridicularização da fala pelo conjunto de meios de comunicação que muitas vezes se torna o impulsionador do problema. Nesse sentido, a atuação da mídia, muitas vezes, traz um desserviço, utilizando a linguagem dos falantes não adeptos à gramática, e inserindo mesmo que de forma subjetiva o preconceito linguístico na sociedade. O combate á liquidez citada inicialmente, a fim de conter o avanço do preconceito linguístico deve tornar-se efetivo, posto que conflitos estatais e sociais garantem a resistência do problema. Sendo assim, o Ministério Público deve fomentar ações judiciais pertinentes contra atitudes individualistas ofensivas, promovendo a compreensão da cultura da língua. Aliado a isso, a Mídia deve dedicar-se a elaboração de programas e projetos sociais a fim de combater o preconceito com a produção de propagandas que informem alternativas de denúncia dessas práticas intolerantes contra a língua tão diversificada, construindo-se, então, uma sociedade mais fiel aos princípios da Constituição.