Preconceito Linguístico

Enviada em 01/11/2018

Com o advento dos portugueses ao Brasil no século XVI, e, posteriormente, as missões jesuíticas promovidas pelo rei de Portugal, os colonos residentes do Novo Mundo foram exterminados e forçados a utilizarem este novo idioma: o português. Aproximadamente 500 anos se passaram desde essa hostilidade linguística, porém o preconceito com o dialeto divergente. O linguajar nordestino, por exemplo, é um dos alvos mais comuns de ataques preconceituosos.

A princípio, é possível destacar a equivocada construção sociocultural da variante linguística padrão como dialeto axiomático. Durante o ano de 2016 tornou-se comunitário o caso do médico Guilherme Capel, que publicou uma postagem ironizando o costume linguístico de um paciente, ao escrever “Não existe peleumonia e nem raôxis”. A publicação apresentou vários comentários de pessoas que satirizaram e fortaleceram esse preconceito. Apenas quando o caso veio à tona, apresentando-se como um preconceito, que o caso foi discutido, e, por pressão popular o médico fez uma nova postagem se retratando com o paciente.

Outrossim, destaca-se a falta de incentivo ao exílio do individuo da sua bolha social, tendo como escopo aprender e respeitar as variantes regionais de cada localidade. Segundo o linguista Marcos Bagno “o conhecimento da gramática normativa é utilizado como instrumento de distinção e dominação pela população culta.”, essa verdade é revelada ao notar-se diferentes dialetos presentes no país e, em muitas vezes, oprimidos pela classe social que domina essa norma padrão. No nordeste há uma diversidade de gírias e dialetos que não são conhecidas pelos civis de outras regiões. A palavra arengar por exemplo, que significa brigar, não é de interesse mútuo aprendê-la. Tomando como norte o pensamento de Immanuel Kant “Nada deve ser aceito sem antes passar pelo tribunal da razão”, isso é, esse conceito de gramática normativa deve ser repensado e aceito na sociedade toda e qualquer maneira de se expressar.

Dessarte, portante, são imprescindíveis medidas para erradicar o entrave. A priori, o Ministério da Cultura e o Ministério das Comunicações, através de maiores investimentos do Governo Federal, deve promover propagandas de conscientização em redes sociais, em especial, no Youtube, que é a rede social majoritariamente usufruída por jovens. Propaganda tal, tendo como escopo de disseminar a importância de relativizar a variante padrão. Para atingir a todo público alvo, é necessário que esses ministérios também promova projetos sociais em escolas em parceria com o corpo docente, projetos com o nome de “semana da variante linguística”, onde alunos aprenderiam dialetos de diferentes regiões, de modo que não ocorra novamente a perda de tantos outros dialetos, como no século XVI.