Preconceito Linguístico
Enviada em 31/10/2018
A língua é um dos principais instrumentos responsável pela comunicação e interação entre os indivíduos. Logo, está sujeita a inúmeras variações. Todavia, essas diferenças linguísticas não são bem aceitas por alguns membros da sociedade, pois muitas pessoas consideram a norma culta da língua portuguesa sendo a única existente e aceita. Percebe-se, com isso, que, devido a essa exclusão e não aceitação à diversidade linguística, muitos acabam criando vários estereótipos, ocasionando o preconceito.
É importante pontuar, de início, que, segundo o livro “Preconceito Linguístico”, de Marcos Bagno, a discriminação linguística nasce da ideia de que há uma única língua portuguesa correta, que é ensinada nas escolas. Tal situação faz com que muitos alunos não tenham conhecimento sobre as diversas variantes linguísticas, e acabam discriminando os colegas de culturas e sotaques diferentes. Além disso, ocorre com as pessoas que moram na zona rural, pobres e de baixa renda, e que estudam em colégios localizados nas grandes cidades. Em suma, essa padronização se torna um problema e acaba excluindo outros dialetos.
É fundamental destacar, ainda, que, desde a imposição da língua portuguesa no processo de colonização, diversas pessoas acabam sofrendo durante essa adaptação linguística. Por conseguinte, atinge o psicológico e o desenvolvimento do indivíduo como cidadão, sendo visto como um ser incapaz e “burro”. Destarte, na região Sudeste, em São paulo, um médico debochou de um paciente pela internet por não saber falar corretamente, em que o texto dizia: “Não existe peleumonia e nem raôxis”.
É indubitável salientar que o preconceito linguístico está virando, demasiadamente, uma ação normativa. É evidente, portanto, que esse preconceito tem que ser combatido. Para isso é necessário que o Ministério da Educação, juntamente com as mídias, contribua, por meio de panfletos e anúncios nas redes sociais, na desconstrução do “certo” e “errado” sobre a língua portuguesa. Soma-se a isso os professores das escolas colocarem em pauta o dicionário como sendo um instrumento de orientação, e não de exclusão, para que os estudantes possam analisar e desfrutar das diversas variantes linguísticas existentes no Brasil, sem um olhar preconceituoso.