Preconceito Linguístico
Enviada em 30/10/2018
A Semana de Arte Moderna, movimento realizado em 1922 e que deu início ao Modernismo no Brasil, trouxe, como um dos seus preceitos, o Manifesto Antropofágico, o qual se baseava na concepção de que o Brasil é singular porque é plural. Tal afirmativa diz respeito à enorme variedade cultural e, consequentemente, linguística do País. Entretanto, a imposição da chamada “gramática normativa” pelas escolas e pela classe social imperante exclui o indivíduo que não a domina, de modo a gerar preconceito e causar efeitos que devem ser apagados da sociedade.
A escola -instituição social mais importante e que concentra enorme quantidade de crianças e adolescentes- exige o uso da norma culta da Língua Portuguesa, que é tida como padrão. Porém, a gramática normativa, que se define como o conjunto de prescrições e regras que determinam o uso considerado correto da língua escrita e falada, exclui o indivíduo que, muitas vezes, por questões sociais e culturais, não a domina, contradizendo uma das principais funções da instituição educacional, que é a de socialização e inclusão.
Além disso, a imposição feita pela classe dominante, a qual também possui como padrão a norma culta da língua, colabora para ampliar a exclusão às classes mais desfavorecidas, que, por obstáculos financeiros e sociais, não tiveram acesso ao ensino da Língua Portuguesa. Como exemplo, têm-se o caso do médico que, numa clara manifestação preconceituosa, debochou de um dos seus pacientes desfavorecidos, ao dizer que não existe “Peleumonia” e nem “Raôxis”, referindo-se à doença pneumonia e ao exame de raio-X.
Desse modo, diante dos fatos expostos, medidas são imprescindíveis para que se possa intervir no problema. Assim, cabe ao Ministério da Educação levar a todas as escolas do Brasil políticas de inclusão linguística, mostrando a importância dos mais variados tipos de dizeres e aplicá-los a cada situação do cotidiano, de modo a revelar as diferentes funções da língua. Isso pode ser feito por meio da inclusão, na matriz curricular dos ensinos fundamental e médio, uma disciplina voltada ao estudo da variabilidade linguística presente no Brasil. Tal ação estimularia a inclusão e a socialização, transpondo o ambiente escolar e diminuindo os enormes índices de preconceito linguístico vigentes na sociedade brasileira contemporânea.