Preconceito Linguístico
Enviada em 31/10/2018
Há dois mil anos na sociedade greco-romana, os povos que não falavam a língua grega ou latim eram considerados inferiores e chamados pejorativamente de bárbaros. Apesar desse contexto histórico retratar o preconceito linguístico em uma comunidade milenar, ainda é possível associar tal prática a sociedade brasileira que julga os seus membros pela fala, processo ligado também a discriminação social e a falta de investimentos do governo na educação.
A princípio, deve-se pontuar, o caso que aconteceu na cidade de Serra Negra no estado de São Paulo, em que um mecânico foi humilhado em uma consulta médica após falar algumas palavras erradas, além do profissional que o atendeu postar o ocorrido nas redes sociais e muitos comentários continuarem a gozação. Em síntese, esse episódio, confirmou o que o linguista Marcos Bagno descreveu, a gramática normativa é um instrumento de distinção na população.
Ademais, a situação precárias nas escolas brasileira, tanto na sua estrutura quanto na falta de profissionais qualificados, desmotivam os alunos, que além de preferirem abandonar a escola para trabalhar e ajudar financeiramente em casa, acabam por não aprender a língua padrão. Segundo dados do IBGE de 2012, cerca de 37% dos brasileiros não completaram o Ensino Médio, esse número na evasão escolar aponta a ineficiência no ensino e falta de incentivo para a frequência escolar.
Portanto, para que o preconceito linguístico na sociedade brasileira seja superado, é necessário que o Governo Federal em parceria com as redes televisivas, promovam campanhas para combate-lo, mostrando o quão natural é a variação da língua para tentar promover a diminuição nos casos de discriminação. Por fim, os poderes municipais devem fiscalizar e investir nos colégios para promoverem melhor qualidade na estrutura, além de oferecerem cursos profissionalizantes a seus professores. Também é necessário um incentivo monetário para aqueles que pretendem deixar os estudos para trabalhar.