Preconceito Linguístico
Enviada em 30/10/2018
È incontrovertível que a língua é um dos principais instrumentos que sustentam a vida em sociedade, visto que é responsável pela comunicação e interação entre os indivíduos. No entanto, quando usada com superioridade a outros linguajares, ela atua de maneira negativa, sendo uma das principais ferramentas de segregação social. O preconceito lingüístico, no Brasil, é evidente, seja pela questão social seja pelo próprio modelo pedagógico impostos nas escolas. Sob essa conjuntura, torna- se necessária a discussão acerca das diversas variantes na língua, afim de que, uma não seja mais prestigiada em relação às demais.
Em primeiro plano, nota-se que a discriminação com base no modo de falar dos indivíduos é encarada como muita naturalidade na sociedade brasileira. Isso porque, a norma culta da língua, é constantemente marcada por uma gramática rigorosa, critica e erudita, sendo ela comumente usada por indivíduos de altas classes sociais ou níveis de escolaridade. Em decorrência disso, os erros de português acometidos por analfabetos, semi-analfabetos, pobres são excluídos e criticados pela elite, que ‘’disputa’’ quem sabe mais a nossa língua. De acordo com o especialista Marcos Bagno, o conhecimento da gramática normativa tem sido usado como um instrumento de distinção e de dominação pela população culta, e defende que para construir uma sociedade tolerante com as diferenças é preciso exigir que as diversidades da língua sejam respeitas e valorizadas.
Outrossim, é preciso atentar com o atual modelo pedagógico utilizados na escolas o qual também ajuda desenvolver o preconceito lingüístico. Isto porque, a escola trata muitas vezes a linguagem como um conjunto de regras e exceções e da língua padrão primazia sobre as variedades lingüísticas de seus educandos. È nesse ponto que a escola torna-se excludente, pois a maioria dos seus alunos não tem acesso á uma variedade considerada padrão e logo são inferiorizados e ridicularizados. O exemplo disso é rotacismo que marca a troca de R por L “tlocar’’ e o metaplasmo que é a adição ou modificação do som “chicrete”. Conseqüentemente, a escola que deveria ser um espaço de interação social, acaba privilegiando as classes dominantes, contribuindo para exclusão de outras variações. Torna-se evidente, portanto, que são as variedades lingüísticas que tornam a língua viva e deve ser respeitadas e valorizadas. Em razão disso, o Ministério da Educação, em parceria com intelectuais e pedagogos, deve discutir e aprovar uma reforma curricular do ensino infantil, fundamental e médio. Essa reforma deve incentivar a interdisciplinaridade entre as matérias de linguagens e humanas, a fim de abordar as variedades lingüísticas desde dialetos regionais, gírias e sotaques e aumentar a carga horária de extraclasse para que os alunos possam unir esses conteúdos ao mundo. mundoreal. Ademais, as Mídias Sociais devem disseminar nos meios de comunicação, propagandas e debates que, além de incentivar o acesso as diversas línguas existentes, mostrem a importância de desenvolver o apresso e respeito pela diversidade cultural. Afinal, conforme defende a filosofa Viviane Mosé, é preciso produzir uma educação viva e contemporânea.