Preconceito Linguístico

Enviada em 30/10/2018

A Ditadura Militar no Brasil foi marcada pelo decreto AI-5, o qual estabeleceu o fim da liberdade de expressão no país. Nesse contexto, diversos artistas foram censurados e dentre esses, tem-se o compositor Adoniran Barbosa cujas músicas conhecidas pela típica linguagem coloquial foram barradas pelo Estado sob argumento de ‘falta de gosto’. Na atualidade, a repressão do militarismo acabou, porém o preconceito linguístico sofrido por Adoniran se perpetua, sendo um problema de âmbito politico e socioeconômico.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que a língua é um objeto mutável, normatizado e institucionalizado, criado para garantir a unidade nacional. Sob essa ótica, quando um país como Brasil, que é caracterizado pela miscigenação e pelo multiculturalismo, estabelece uma língua oficial, as diversas variantes linguísticas e particularidades regionais são negligenciadas e os indivíduos que não seguem a norma culta sofrem preconceito. Tal controle social pode ser exemplificado pelo caso do indígenas no Período Colonial, visto que os portugueses promoveram a aculturação dos índios e impuseram a língua portuguesa á eles.

Além disso, o preconceito linguístico é vinculado ao engessamento do ensino da língua portuguesa e à desigualdade social. O aprendizado nas escolas é baseado na norma padrão e prioriza a gramática sobre a forma oral e as variações linguísticas, logo o aluno é condicionado a aceitar apenas um tipo de linguagem. Ademais, os falantes da norma culta são associados à um nível de maior escolaridade e poder aquisitivo. Dessa forma, o modo de falar de uma pessoa serve como pretexto para a prática da exclusão social e discriminação.

Diante do exposto, é evidente que o preconceito linguístico é um problema enraizado na sociedade brasileira e necessita de atenção. Assim, o Ministério da Educação deve reformular a grade curricular das escolas, a fim de inserir um estudo mais abrangente e didático da língua portuguesa. Outrossim, cabe ao Governo Federal legitimar a diversidade linguística presente no país e promover campanhas sobre essa questão nos meios de comunicação, uma vez que a unidade nacional só pode ser alcançada quando todos os cidadãos são valorizados e respeitados.