Preconceito Linguístico
Enviada em 31/10/2018
A miscigenação brasileira garante ao território uma grande variação linguística dos falantes. No entanto, apesar da normalidade da situação, preconceitos foram criados com o passar do tempo, dificultando a expressão cultural das diferentes regiões. Logo, constata-se a inércia da situação, seja pelo comportamento de superioridade, seja pela ironização por parte da mídia.
É indubitável que a questão de superioridade esteja entre as causas da problemática. Com isso, o preconceito ganha fundamento embasado na qualificação das culturas, fruto da corrente antropológica evolucionista do século 19 responsável pela onda de europeização dos povos julgados como inferiores e que enxerga disparidades qualitativas até mesmo no modo de falar. Dessa maneira, o sentimento deriva agressões físicas e verbais em prol da subjugação cultural entre diferentes cidadãos.
Ademais, a esteriotipação das pessoas por meio do modo de se comunicarem acresce os preconceitos. Assim, apesar do tom humorístico de alguns veículos de comunicação quanto ao uso da ironização dos povos, a messagem acaba sendo reproduzida automaticamente na mente da audiência, criando conclusões precipitadas e dificultando o intercâmbio cultural entre os estados brasileiros. Dessa forma, a falta de censura em determinados casos pode contribuir para a continuidade do problema.
Fica evidente, portanto, que é substâncial o combate da situação para que prevaleça o direito constitucional de expressão cultural. Destarte, é imprescindível a ação da esfera judiciária na criação de códigos de conduta que enquadrem casos de preconceitos linguísticos como crime grave e inafiancável, a fim de diminuir os casos de agressões pelo país. Ainda, os governos estaduais deverão instituir restrições aos canais televisivos que reproduzam, mesmo que não propositalmente, quadros irônicos com temática voltada para as diferenças linguísticas, em busca de diminuir a esteriotipação dos povos.