Preconceito Linguístico

Enviada em 30/10/2018

Entre os anos de 1530 e 1822 ocorreu o processo de colonização do Brasil. Esse período foi marcado pela pretensão dos portugueses de impor seus costumes e ideologias aos nativos, entre eles estava incluso o aprendizado da língua portuguesa. Atualmente, convivemos diariamente com as consequências desta prática, com a supervalorização da norma padrão linguística em detrimento das variantes.

Observa-se, em primeira instância, que as escolas estão se tornando os principais locais de exclusão das variedades linguísticas. Ao considerar uma única possibilidade de realização da língua portuguesa como sendo a correta, a escola propaga o mito de que existe apenas uma forma de falar no Brasil, e desconsidera que o português falado no país é marcado pela diversidade, logo, ao definir um padrão da língua, a sociedade despreza as demais variantes existentes e se estabelece um preconceito em relação a elas.

Deve-se abordar, ainda, que a mídia, como principal influenciadora, aumenta os casos de preconceitos linguísticos. Muitas vezes os meios de entretenimento - novelas, filmes, séries - utilizam a linguagem como forma de ridicularizar a maneira de falar de determinada região, um exemplo, é o modo como a fala nordestina é retratada nas novelas, todo personagem com origem nordestina é um tipo grotesco e rústico criado para provocar riso e deboche dos telespectadores, como o personagem Candinho da novela global “Êta mundo bom”. Assim, o preconceito vai sendo inserido na sociedade de forma subentendida, o que faz com que as pessoas aceitem o que lhes é imposto e transmitam, sem perceber, atitudes intolerantes para com as “pessoas reais”.

Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para resolver o impasse. Cabe ao Ministério da Educação, fazer uma releitura dos cursos de licenciatura com um reformação da grade curricular, inserindo um estudo mais amplo das variações regionais, com o objetivo de que o ensino da norma-padrão seja feito sem que ocorra a desvalorização da variedade linguística do aluno. Ademais, as escolas devem repensar formas de aplicação e procurar realizar práticas e procedimentos que valorizem a realidade vivida pelos alunos, a fim de que eles se sintam valorizados, tanto como indivíduos, quanto falantes da língua. Por fim, a mídia deve procurar estudar melhor o modo de falar de cada região, buscando levar ao público o respeito a todos e com isso, combater os diversos preconceitos embutidos na sociedade, afinal, como foi dito pelo linguista Marcos Bagno, não existe forma certa ou errada de falar, mas sim diferentes situações comunicativas. Portanto, cabe a todos respeitar e aceitar cada uma delas.