Preconceito Linguístico
Enviada em 30/10/2018
Reestruturação Holística
Se, para François Mauriac, escritor francês, separar a justiça da liberdade constitui um pecado social por excelência, para a sociedade brasileira, hodierna, tal ideário não poderia ser diferente.Sob esse viés, a perpetuação do preconceito linguístico no país afronta não meramente a dignidade dos cidadãos, mas o profundo debate educacional brasileiro.Dessa forma, tal circunstância denota uma atmosfera de inadimplência, cerceada em desafios, seja pelo coerção das liberdades individuais, seja pela violação de preceitos constitucionais.
A princípio,observa-se que tal panorama apresenta intempéries socioculturais.Gilberto Freire, excepcional sociólogo brasileiro, em Casa Grande e Senzala, repassa a percepção de que o caráter do povo brasileiro deve-se a valores transcorridos e arraigados do período colonial.Sob tal concepção, o preconceito linguístico no Brasil representa uma mácula social, haja vista a institucionalização de uma estrutura de poder, a comunicação, na qual se alicerça sobre discursos, desrespeitos e, sobretudo, coerção de fala, e isto posto pensamento.Assim, a descriminação expande-se, evapora, subjugando classes, especialmente nordestinos, sendo, por isso, imprescindíveis mudanças que atenuem tal óptica.
Outrossim, é importante salientar que a perpetuação do preconceito à língua dar-se a questões políticas-estruturais.De acordo com Pierre Bourdieu, sociólogo francês, tratando todos os educandos como iguais em direitos e deveres, o sistema educacional é levado a dar as sanções iniciais perante a cultura. Nesse sentido, é indubitável que inúmeras regras e variações linguísticas tornem a comunicação brasileira bastante heterogênea.Entretanto, a dominação da gramatica normativa, o cultismo, por, em essência, classes mais abastardas direcionam a repressão a grupos específicos, acrescendo, a partir disso, caráter autoritário e repreensivo ao coloquial, sendo tal manifestação altamente irradiada, porém não tolerável.
Torna-se imperativo, portanto, que o cátedras universitárias, junto aos professores, realizem palestras e seminários em colégios e universidades, debatendo e desmistificando, sob a visão irrestrita da sociologia, a língua, em suas variações e os danos morais de tal preconceito.Ademais, é imprescindível que o Ministério da Educação elabore novas diretrizes do currículo escolar médio e fundamental, com pautas de respeito a língua, o formalismo linguístico dos ambientes e a distinção entre língua e oralidade.Apenas sob tal conciliação, haver-se-á a execução do pleno direito e o respeito a dignidade dos cidadãos, pois como versado por Cecília Meireles, a liberdade é um sonho, que o mundo inteiro alimenta.